A lua e a flor de lótus

por Síria Malta

A lua de prata no céu
Pela flor de lótus se apaixonou.
Arrogante e presunçosa
A seu amor se declarou.

— Como és bela minha flor
Vou contigo me casar
Vou te dar uma aliança
E comigo vais ficar.

A tímida flor então à lua respondeu:
— Amiga lua, cara-me é sua paixão
Mas sua não posso ser
Pois outro já tem meu coração.

A lua enraivecida
à flor de lótus prometeu
— Já que não pode ser minha,
De ninguém nunca será
Vou te jogar um feitiço
E na água nascerá.
Longe de seu amante
Que na terra ficará.

A flor despedaçada
Silenciosa, chorou
Pois a lua despeitada
Os amantes separou.

Mas a fada do amor
Que ouvia a conversa
— Disse, flor minha querida
Vou te fazer uma promessa.

Nascerás lá na lagoa
Como a lua assim quis ser
Mas terás o seu amado
Seja onde estiver.

E assim a flor de lótus
Na água fresca busca o sol
Sob o olhar apaixonado
De um caloroso girassol.
Que com olhos protetores
Em direção a sua amada
Aquece o coração
Da eterna namorada.

E a lua desprezada
No céu a testemunhar
O amor entre os dois amantes
Que mesmos distantes
Continuaram a se amar.

Síria Malta

Professora e mãe de menina. Sempre apaixonada pelas leituras, tenho nítido na memória uma época em que, descalça, escalava as íngremes escadas daquela que foi a primeira biblioteca de Itaguara. Lugar que me ajudou a construir a pessoa na qual me transformei. Pena que esse hábito de leitura perco-o pouco a pouco na mesma medida em que o olhar já não é capaz de reconhecer à riqueza de seu significado.
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