A sombra de Cleitinho: A insistência do senador que ameaça o projeto de sucessão de Zema
Com desempenho pífio nas pesquisas, vice-governador Mateus Simões vê chances de eleição reduzidas diante da liderança isolada do senador do Republicanos

Luciano Meira
O senador Cleitinho (Republicanos-MG) reafirmou nesta semana que não abre mão de sua pré-candidatura ao governo de Minas Gerais em 2026. A declaração ocorre em um momento crítico para o Palácio Tiradentes: apesar de o governador Romeu Zema (Novo) ostentar aprovação superior a 60%, seu sucessor escolhido, o vice-governador Mateus Simões (PSD), patina com índices que flutuam entre 4% e 12% nas pesquisas de intenção de voto (Quaest e Real Time Big Data).
A manutenção do nome de Cleitinho, que lidera ou divide o topo das sondagens com marcas entre 33% e 43%, cria um obstáculo direto à estratégia governista. Ao centralizar o eleitorado de direita e bolsonarista, o senador impede que Simões herde o capital político de Zema, mantendo o vice-governador isolado como um suposto perfil técnico, mas sem apelo popular.
O racha no PL e o “jogo duplo” de Nikolas
O impasse ganha contornos de crise interna na direita mineira devido à postura ambígua do Partido Liberal (PL). Enquanto o deputado estadual Caporezzo (PL) já declarou apoio formal a Cleitinho, classificando Mateus Simões como “inexpressivo”, a maior estrela do partido, o deputado federal Nikolas Ferreira, adota uma espera estratégica.
Nikolas tem participado frequentemente de eventos oficiais ao lado de Simões — em agendas que críticos descrevem como “campanha disfarçada” sob o pretexto de entregas de obras. No entanto, o deputado declarou publicamente que “não há acordo fechado” para apoiar o vice-governador, evitando dar um aval definitivo ao grupo de Zema enquanto Cleitinho mantiver sua força nas ruas.
Narrativa de boicote e atritos na gestão
Cleitinho elevou o tom das críticas e acusa setores da própria direita de tentarem boicotar sua candidatura para favorecer Simões. Essa narrativa de “perseguição pelo sistema” fortalece o senador perante o eleitorado que rejeita a política tradicional, atingindo inclusive a imagem de Zema.
Em entrevista concedida a revista Timeline, bem ao seu estilo o senador dispara: “Eu apareço com mais de 40%. Por que tenho que abrir mão? Por que tenho que ser um covarde de abrir mão de ser candidato? Se a direita tem que estar unida, por que não pode me apoiar?”.
Sobre eventuais críticas, sem citar quem as teria feito sobre um possível despreparo para o cargo de governador o senador reagiu: “Eu não estou preparado pra roubar, não estou preparado pra colocar carguinho comissionado de amigo lá dentro, não estou preparado pra fazer contrato para poder favorecer empresa de pedágio. Para isso eu não estou preparado. Eu estou preparado para defender o povo mineiro”.
Paralelamente, a gestão de Mateus Simões no segundo mandato tem gerado atritos com aliados históricos. A centralização de decisões pelo vice-governador provocou o rompimento público do presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), sinalizando uma potencial perda de capilaridade política no interior do estado.
Com a desincompatibilização de Romeu Zema — que deve deixar o cargo para disputar a Presidência —, Mateus Simões terá pouco tempo para sair do “traço” nas pesquisas antes de assumir o governo. Se Cleitinho cumprir a promessa de que “não precisa de Zema, mas do povo”, a sucessão mineira caminha para um isolamento sem precedentes do grupo situacionista.
