Abertura dos Jogos de Inverno em Milão-Cortina marca delegação recorde e inédita chance real de medalha para o Brasil
Com 14 atletas em cinco modalidades, Time Brasil vive maior participação da história em Jogos de Inverno e aposta em Nicole Silveira, Lucas Pinheiro e Pat Burgener para tentar pódio inédito

Luciano Meira
A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 aconteceu nesta sexta-feira (6), no estádio San Siro, em Milão, com a maior delegação brasileira da história e um clima inédito de expectativa por medalha. São 14 atletas e um reserva defendendo o país em cinco modalidades – bobsled, esqui alpino, esqui cross-country, skeleton e snowboard –, número 40% superior ao dos Jogos de Pequim 2022, quando o Brasil levou dez competidores.
A bandeira brasileira no desfile de nações é conduzida por dois nomes centrais desse novo momento: a skeletonista Nicole Silveira e o esquiador Lucas Pinheiro Braathen, escolhidos como porta-bandeiras do país. Na mesma cerimônia, a ginasta Rebeca Andrade, maior medalhista olímpica do Brasil, tem papel de destaque ao carregar a bandeira olímpica ao lado de outras personalidades convidadas pelo Comitê Olímpico Internacional. Para o esporte brasileiro, a noite simboliza não apenas presença, mas ambição concreta de disputar o pódio pela primeira vez em uma edição de Inverno.
Delegação recorde e modalidades
A equipe brasileira em Milão-Cortina é formada por 14 atletas, além de um reserva no bobsled, distribuídos em cinco modalidades: bobsled, esqui alpino, esqui cross-country, skeleton e snowboard. A ampliação da delegação reflete um ciclo com mais estrutura, planejamento de longo prazo e resultados consistentes em Copas do Mundo, segundo avaliação do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e do Ministério do Esporte. A participação em 2026 consolida a décima presença brasileira consecutiva em Jogos de Inverno desde a estreia em Albertville 1992.
No esqui alpino, tradicional porta de entrada do Brasil nos esportes de neve, o país leva quatro nomes: Lucas Pinheiro Braathen, Christian Oliveira, Giovanni Ongaro e Alice Padilha. O bobsled conta com um trenó de quatro atletas e um reserva, mantendo a sequência de participações da modalidade, que já levou o Brasil a seis edições de Jogos de Inverno desde Salt Lake City 2002. O grupo se completa com representantes no esqui cross-country, no skeleton e no snowboard, formando um leque mais diversificado do que em ciclos anteriores.
Onde o Brasil mais sonha com medalha
Pela primeira vez, o Brasil inicia uma edição dos Jogos de Inverno com projeções oficiais de “chances reais” de medalha, apoiadas em resultados recentes de três atletas em competições de elite. A principal aposta recai sobre o esqui alpino, com Lucas Pinheiro Braathen, que chegou ao pódio em etapas da Copa do Mundo com duas pratas e um bronze, especialmente nas provas de slalom e slalom gigante. No skeleton, Nicole Silveira aparece como nome forte após medalhas em etapas de Copa do Mundo e posições entre as melhores do ranking mundial.
No snowboard, o suíço-brasileiro Pat Burgener surge como candidato “por fora”, com pódios em etapas de circuito internacional que o mantêm no radar por uma vaga entre os finalistas. Em projeções recentes, comentaristas e dirigentes apontam quatro possibilidades concretas de pódio para o país: duas com Lucas Pinheiro (slalom e slalom gigante), uma com Nicole no skeleton e outra com Burgener no snowboard. Se confirmada, qualquer conquista colocaria o Brasil como o primeiro país da América do Sul a subir ao pódio em modalidades de neve ou gelo.
Cerimônia de abertura e simbolismo para o país
A abertura em Milão aconteceu de forma simultânea em dois palcos, com o San Siro como cenário principal para o desfile das delegações e apresentação artística. Artistas como Andrea Bocelli e Laura Pausini integram a parte musical, enquanto o protocolo olímpico reforça mensagens de paz e sustentabilidade em meio ao impacto do aquecimento global sobre a neve natural nas montanhas italianas. Para o Brasil, a presença de Rebeca Andrade com a bandeira olímpica e de Nicole e Lucas à frente da delegação reforça a conexão entre a tradição de pódios nos Jogos de Verão e a ambição inédita nos Jogos de Inverno.
Ao longo dos próximos dias, 14 brasileiros se revezarão nas pistas e pistas de gelo de Milão e Cortina d’Ampezzo, em meio a mais de 2,9 mil atletas de 90 a 92 países, distribuídos em 16 modalidades. As primeiras provas de algumas modalidades, como snowboard e hóquei no gelo, começaram ainda antes da abertura oficial, e o desempenho inicial dos favoritos brasileiros será acompanhado de perto por quem vê nesta edição uma fronteira histórica para o país no inverno.
