Advogado de Vorcaro procura PF para delação que pode expor vínculos políticos e religiosos
Banco Master e Igreja Lagoinha aparecem no centro das suspeitas de fraude bilionária

Luciano Meira
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso em março de 2026 durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras bilionárias contra aposentados e pensionistas do INSS. A Polícia Federal estima que os prejuízos ultrapassem R$ 12 bilhões, envolvendo carteiras de crédito falsas e desvio de recursos para patrimônio pessoal.
Antecedentes
As investigações começaram em novembro de 2025, quando a primeira fase da operação atingiu a cúpula do Banco Master e levou ao afastamento de dirigentes do Banco de Brasília (BRB), suspeito de injetar recursos em operações fraudulentas. Em janeiro de 2026, a Justiça bloqueou R$ 5,7 bilhões em bens de Vorcaro e familiares. Na fase mais recente, foram identificadas estruturas de coerção e infiltração em órgãos reguladores, incluindo servidores do Banco Central.
Relações com a Igreja da Lagoinha
Vorcaro e seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, preso em 4 de março, mantêm vínculos estreitos com a Igreja Batista da Lagoinha, uma das maiores instituições evangélicas do país. Zettel chegou a atuar como pastor em uma filial da igreja, e a família Vorcaro tem histórico de proximidade com líderes religiosos, incluindo o pastor André Valadão. A unidade da Lagoinha no bairro Belvedere, em Belo Horizonte, fechou as portas após a prisão de Zettel.
Possível delação
Segundo o advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, Vorcaro não pretende “poupar ninguém” em eventual delação premiada. A colaboração pode trazer novos elementos sobre as conexões entre o Banco Master, setores políticos da direita e extrema direita, além de lideranças evangélicas ligadas ou não à Lagooinha. Investigadores afirmam que ainda há grande volume de material a ser periciado, incluindo mais de 100 celulares apreendidos, oito deles pertencentes a Vorcaro.
Repercussão política
A possibilidade de delação preocupa parlamentares ligados à base evangélica e partidos de direita, que podem ser citados em esquemas de financiamento e influência. A proximidade entre capital financeiro e instituições religiosas, sendo revelada pelas investigações, colocará em exposição uma rede de poder que transcende o setor bancário.
Declarações oficiais
O ministro André Mendonça, do STF, prorrogou o inquérito por mais 60 dias para permitir novas diligências. A Polícia Federal afirma que a delação pode acelerar a responsabilização dos envolvidos e ampliar o alcance das investigações.
A eventual delação de Vorcaro pode redefinir o cenário político em Minas Gerais e no Brasil. Ao atingir setores da direita e da extrema direita, além de lideranças evangélicas, o caso expõe a interseção entre fé, poder econômico e influência política. O impacto social é profundo: aposentados e pensionistas do INSS também foram vítimas de fraudes no Banco Master, fundos de pensão de servidores públicos foram lesados assim como investidores privados enquanto o impacto político pode desestabilizar alianças e revelar conexões até então ocultas entre instituições financeiras e religiosas.
