Atrás da Montanha

Poeta tem alma inquieta

Curiosa, estranha.

O poeta não se aquieta

E quer saber, o que há atrás da montanha.

 

Atrás daquela montanha, menina

Não tem flor,

Não tem afeto.

Atrás daquela montanha

Tem chão frio de concreto.

 

Eucalipto, agora é cerca

Ipê branco, mudo criado

Buriti virou tapete.

Onde pisa o deputado.

 

Atrás daquela montanha

Não tem casa da vovó

Mas tem lobo que vive só.

 

Tem pássaro sem bando

E tristeza também.

Atrás da montanha

Virou terra de ninguém.

 

Tem nascente que secou

Vagalume que se apagou

Desgoverno

Impunidade

Por trás daquela montanha

O urutau canta seu canto de saudade.

 

Saudade do que já foi

Do que nunca vai voltar

Saudade daquela menina

Que nunca deixou de sonhar.

Síria Malta

Professora e mãe de menina. Sempre apaixonada pelas leituras, tenho nítido na memória uma época em que, descalça, escalava as íngremes escadas daquela que foi a primeira biblioteca de Itaguara. Lugar que me ajudou a construir a pessoa na qual me transformei. Pena que esse hábito de leitura perco-o pouco a pouco na mesma medida em que o olhar já não é capaz de reconhecer à riqueza de seu significado.
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