Beatriz Cerqueira alerta: privatizações na ALMG ameaçam Minas Gerais

Votação decisiva amanhã na Assembleia pode aprovar venda da Copasa e entrega de 209 imóveis públicos, sem estudos técnicos e sob obstrução da oposição

Deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT/MG) – Foto: Luiz Rocha/Assessoria da deputada
Luciano Meira

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) enfrenta nesta quarta-feira (17) uma pauta explosiva de fim de ano: a votação em segundo turno do PL 4.380/2025, que autoriza a privatização da Copasa, e o PL 3.733/2025, que libera a venda ou transferência para a União de 212 imóveis estaduais para abater a dívida de R$ 177,4 bilhões no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Após adiamentos e negociações tensas, a base governista de Romeu Zema (Novo) pressiona por aprovação antes do recesso parlamentar, que começa na sexta (19), enquanto a oposição, liderada pelo Bloco Democracia e Luta, promete obstrução total. A deputada Beatriz Cerqueira (PT/MG), em declaração recente, reforçou: “Nós estamos em obstrução, e faremos obstrução amanhã também”, destacando a falta de segurança jurídica, com judicializações no STF e questionamentos no Tribunal de Contas.Expectativas na Privatização da Copasa

Fundada em 1963, a Copasa registrou lucro de R$ 1 bilhão nos nove primeiros meses de 2025, mas o governo Zema defende sua venda como saída para a crise fiscal, sem referendo popular e com nota técnica superficial encomendada em dezembro. Cerqueira criticou duramente: “Esse projeto continua sem um estudo técnico. Aquela nota técnica que o governo apresentou […] foi uma nota técnica encomendada para colocar uns papéis a mais ali […] uma falta de transparência do governo”. Municípios como Belo Horizonte, Betim e Contagem temem tarifas mais altas pelo fim do financiamento cruzado, e associações de prefeitos entraram na briga tardiamente, o que pode complicar a atratividade para investidores.

Controvérsia na entrega de imóveis públicos

O PL de imóveis, aprovado em primeiro turno por 47 a 19, reduzirá de 343 para 212 bens na lista final, excluindo Cidade Administrativa e Palácio das Artes após pressão oposicionista, mas mantendo escolas, fóruns e aeroportos com risco de leilão com até 25% de desconto. Beatriz Cerqueira celebrou vitórias parciais, como a salvação da UEMG, Unimontes e Emater: “De 300, quase 350 imóveis […] baixou para cerca de 200 […] salvamos muita coisa”. Críticos veem “saldão imoral” que remunera corretoras privadas, ignorando serviços essenciais e gerando insegurança para a população mineira afetada.

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