Bella Gonçalves critica cortes e cobra apoio a vítimas das chuvas na Zona da Mata
Deputada aponta negligência do governo estadual em prevenção de tragédias climáticas

Luciano Meira
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizou nesta quinta-feira (19) audiência pública para discutir a situação das famílias atingidas pelas chuvas na Zona da Mata. A reunião foi convocada pela deputada Bella Gonçalves (PSOL), presidenta da Comissão de Direitos Humanos, e pelo deputado Betão (PT). O encontro reuniu autoridades estaduais, federais e municipais, além de moradores de Juiz de Fora e Ubá, cidades mais afetadas.
As enchentes deixaram 72 mortos e 8.500 desabrigados, segundo dados oficiais. Moradores relataram dificuldades para acessar o auxílio emergencial de R$ 800, devido a exigências burocráticas como inscrição no CadÚnico e apresentação de documentos perdidos durante a tragédia. “As pessoas perderam tudo, inclusive documentos. É inadmissível que a burocracia impeça o acesso a um benefício que deveria ser imediato”, afirmou Bella Gonçalves.
A deputada criticou duramente o governo estadual por cortes no orçamento destinado à prevenção de desastres climáticos. “Nós queremos entender por que o governo do estado retirou recursos da prevenção às tragédias climáticas. Houve um corte de 96% do orçamento. Isso é negligência diante de uma realidade que já sabíamos ser grave”, disse. Ela destacou que o governo federal anunciou mais de R$ 1 bilhão para a região, mas cobrou que os recursos sejam aplicados diretamente em moradias e infraestrutura. “É preciso contratar a construção de unidades habitacionais de qualidade, para que aquelas pessoas que vivem em áreas de risco possam viver com dignidade”, acrescentou.
Moradores presentes reforçaram as críticas. Uma das atingidas relatou que, mesmo após perder a casa, não conseguiu acessar o benefício emergencial. Outro participante afirmou que a falta de políticas de prevenção contribuiu para a dimensão da tragédia. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) classificou o episódio como o quarto maior desastre por chuvas no Brasil na última década.
Além dos impactos humanos, os prejuízos econômicos foram significativos. O polo moveleiro de Ubá registrou perdas superiores a R$ 16 milhões, a agricultura contabilizou danos em 45 hectares de hortaliças, e o setor automotivo estimou R$ 38,4 milhões em indenizações. Instituições de ensino também sofreram danos, como a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), que terá repasses emergenciais para recuperação.
Bella Gonçalves defendeu ainda a aprovação do Projeto de Lei 2.456/24, que trata de políticas públicas para situações climáticas extremas. “Esperamos que seja votado agora em março, no limite no início de abril. É urgente que o Estado assuma sua responsabilidade e enfrente as mudanças climáticas com seriedade”, afirmou.
