Brasil celebra cinco anos da primeira vacina aplicada contra a covid-19
Imunização de enfermeira em São Paulo marcou início de campanha que evitou centenas de milhares de mortes

Luciano Meira
Neste sábado (17/1), o Brasil completa cinco anos do marco inicial da campanha de vacinação contra a covid-19. Em 17 de janeiro de 2021, poucos minutos após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso emergencial dos primeiros imunizantes, a enfermeira Mônica Calazans recebeu a primeira dose da Coronavac no Hospital das Clínicas de São Paulo, tornando-se o símbolo da esperança em meio à crise sanitária.
A enfermeira, que atuava na linha de frente do combate à doença, personificou o alento para uma população que enfrentava o isolamento e o luto. Na época, a vacinação começou com doses importadas e foi gradualmente ampliada à medida que instituições como o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nacionalizaram a produção.
Impacto nos números e vidas salvas
Os resultados da imunização foram sentidos em poucos meses. De acordo com dados do Observatório Covid-19, as hospitalizações e óbitos entre idosos — o primeiro grupo prioritário — apresentaram queda drástica já no segundo trimestre de 2021. Estima-se que, apenas no primeiro ano de campanha, a vacinação tenha evitado mais de 300 mil mortes no país.
Atualmente, o Brasil apresenta índices de cobertura vacinal elevados, o que permitiu o controle da circulação do vírus e a retomada plena das atividades econômicas e sociais. O esquema vacinal foi incorporado ao calendário nacional de saúde, com reforços periódicos para grupos vulneráveis.
Atrasos e lições aprendidas
Apesar do sucesso estatístico da campanha, a data também convida à reflexão sobre os desafios enfrentados. Estudos de universidades brasileiras, como a UFMG, sugerem que o início tardio da vacinação — que poderia ter ocorrido ainda em 2020 caso negociações anteriores tivessem prosperado — contribuiu para um número elevado de vítimas que poderiam ter sido poupadas.
A experiência da pandemia consolidou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) e da ciência nacional. Hoje, cinco anos depois, a memória da primeira dose aplicada em Mônica Calazans permanece como o registro histórico do momento em que o país começou a reverter o cenário de uma das maiores tragédias de sua história.
