Brasil conquista certificação internacional na eliminação da transmissão de mãe para filho do HIV
Avanço do SUS permite que país seja reconhecido como o maior do mundo a zerar transmissão vertical , com taxas abaixo dos critérios da OMS

Luciano Meira
O Brasil obteve a certificação internacional da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) pela eliminação da transmissão vertical do HIV, marco histórico que impede a passagem do vírus de mãe para filho durante a gestação, parto ou amamentação. Em 2023, o país registrou taxa de transmissão inferior a 2% e incidência de HIV em crianças abaixo de 0,5 caso por mil nascidos vivos, atendendo aos padrões globais da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa conquista, anunciada em junho de 2025, reflete décadas de políticas públicas coordenadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com cobertura de pré-natal superior a 95% e testagem universal para gestantes.
A transmissão vertical do HIV afeta principalmente bebês de mães soropositivas não diagnosticadas ou sem tratamento adequado, podendo ser prevenida com medicamentos antirretrovirais, cesariana e interrupção da amamentação quando necessário. No Brasil, o processo começou com o diagnóstico precoce, iniciado nos anos 1990, e evoluiu com o Pacto Nacional para a Eliminação da Transmissão Vertical, assinado em 2022, que envolveu estados, municípios e sociedade civil. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, entregou o relatório à Opas em junho de 2025, durante congresso no Rio de Janeiro, destacando o papel da reconstrução do SUS sob o governo Lula e a ex-ministra Nísia Trindade. Essa vitória posiciona o Brasil como o maior país do mundo a alcançar o feito, juntando-se a 19 nações já certificadas.
O SUS ampliou estratégias como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que atingiu 184.619 usuários em 2025, e testes rápidos duo para HIV e sífilis, priorizando gestantes. A certificação subnacional, adaptada pelo Brasil, já beneficiou 151 municípios e sete estados, como São Paulo e Minas Gerais, com 228 selos vigentes e mais 70 municípios e dez estados previstos para 2025. Esses avanços reduziram a mortalidade por aids para 3,9 óbitos por 100 mil habitantes em 2023, a menor desde 2013, e integram metas do Programa Brasil Saudável para eliminar infecções como sífilis e hepatite B até 2030. Especialistas da Opas, como Cristian Morales, enfatizam a importância de manter financiamentos para sustentar os resultados, evitando retrocessos.
