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Brasileiros da Flotilha Global Sumud são libertados na Jordânia após prisão por Israel

Entre os 13 ativistas está a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE); grupo estava detido desde tentativa de levar ajuda humanitária a Gaza

Divulgação Flotilha Global Sumud
Luciano Meira

Os 13 brasileiros que integravam a Flotilha Global Sumud — entre eles a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) — foram libertados pelas autoridades de Israel e conduzidos à fronteira com a Jordânia, informou o Ministério das Relações Exteriores (MRE) nesta terça-feira (7), em Brasília. O grupo, detido desde o início de outubro, foi recebido por diplomatas brasileiros na Ponte Allenby, ponto de passagem entre Israel e a Jordânia, e seguiu para Amã, capital do país, em veículo oficial da embaixada.A libertação ocorre exatamente dois anos após a intensificação do conflito em Gaza, e encerra um impasse diplomático que mobilizou Itamaraty e o governo brasileiro ao longo da última semana. “Os ativistas estão livres e sob proteção das autoridades brasileiras”, diz a nota do MRE. O grupo, composto por 13 integrantes de movimentos sociais e representantes políticos, tentava romper o bloqueio imposto a Gaza levando ajuda humanitária por via marítima.

Detenção e acusações

Os brasileiros foram capturados por militares israelenses em 2 de outubro, junto com dezenas de ativistas estrangeiros, durante a interceptação da flotilha em águas internacionais do Mediterrâneo. A operação envolveu cerca de 50 embarcações civis sob a bandeira da coalizão Flotilha Global — formada por organizações humanitárias de diversos países que denunciam o bloqueio à Faixa de Gaza, imposto por Israel e pelo Egito desde 2007.

Após a apreensão das embarcações, o grupo foi levado para o centro de detenção de Kesdiot, no deserto de Negev, no sul de Israel. Segundo a organização israelense de direitos humanos Adalah, que acompanhou o caso, os ativistas permaneceram incomunicáveis por mais de 48 horas, sem acesso a advogados nem contato com as representações diplomáticas de seus países. Familiares relataram ter recebido notícias apenas por meio de canais informais.

O MRE e a Embaixada do Brasil em Tel Aviv protestaram formalmente contra a detenção, classificando a interceptação como “ação ilegal e arbitrária em águas internacionais”. O Itamaraty também exigiu garantias de integridade física e respeito ao devido processo legal para os cidadãos brasileiros.

O movimento e seus objetivos

A Flotilha Global Sumud — palavra árabe que significa “resiliência” ou “firmeza” — reúne ativistas, políticos, médicos e integrantes de organizações humanitárias de cerca de 30 países. O objetivo da missão era levar suprimentos médicos, alimentos e equipamentos para hospitais em Gaza, que sofrem com colapso no sistema de saúde após meses de conflito e bloqueios sucessivos.

Entre os tripulantes brasileiros estavam, além da deputada Luizianne Lins, a vereadora de Campinas Mariana Conti (PSOL-SP), o ativista Thiago Ávila, os jornalistas Bruno Gilga e Lisiane Proença, o sociólogo Magno Costa, o defensor de direitos humanos Mohamad El Kadri e outros representantes da sociedade civil. Muitos deles já haviam participado de outras missões internacionais de solidariedade à Palestina.

Repercussão e diplomacia

A libertação do grupo foi comemorada nas redes sociais por parlamentares e organizações de direitos humanos. Em publicação, Luizianne Lins agradeceu às embaixadas brasileiras em Tel Aviv e Amã e afirmou que “a experiência reforçou o compromisso com a causa humanitária e com a paz na Palestina”.

Em nota enviada à imprensa, o movimento Flotilha Global informou que pretende retomar novas tentativas de envio de ajuda a Gaza “por vias pacíficas e solidárias”, e denunciou a “desproporcionalidade” da ação militar israelense durante a apreensão. Já o governo israelense, até o momento, não comentou oficialmente a libertação dos brasileiros.

O Ministério das Relações Exteriores destacou que seguirá acompanhando a situação dos ativistas e continuará cobrando o respeito ao direito internacional humanitário e à proteção de civis em zonas de conflito.

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