Buscas por desaparecidos são encerradas em Juiz de Fora; em Ubá, Bombeiros procuram última vítima da enxurrada

Corpo de menino de 9 anos é localizado após cinco dias sob escombros; na mesma região da Zona da Mata, segue desaparecido em Ubá o trabalhador Luciano Franklin Fernandes, arrastado pela força da água

Reprodução
Luciano Meira

Após cinco dias de trabalho ininterrupto em meio a escombros e lama, equipes de resgate localizaram o corpo de Pietro Cesar Teodoro Freitas, 9, última pessoa desaparecida após os deslizamentos provocados pelas chuvas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, o que levou ao encerramento oficial das buscas no município e elevou para 65 o número de mortos na cidade. Em Ubá, também na Zona da Mata, o Corpo de Bombeiros confirmou a identificação do empresário Alex Lucas Pinto, 35, encontrado sob uma ponte após ser levado pela enxurrada, mas ainda procura por um último desaparecido, Luciano Franklin Fernandes, 50, arrastado dentro de casa pela força da água.

Encerramento das buscas em Juiz de Fora

Pietro foi encontrado na noite de sábado (28/2) sob escombros no bairro Paineiras, área fortemente atingida por deslizamentos, após uso de maquinário pesado para demolição de imóveis e acesso a pontos soterrados. Segundo os Bombeiros, o terreno íngreme e a continuidade das chuvas mantiveram o risco de novos deslizamentos durante toda a operação, o que exigiu interdições e evacuações de imóveis na região. Com a localização do corpo, Juiz de Fora chegou a 65 mortes relacionadas ao temporal; somadas às seis vítimas já confirmadas em Ubá, a tragédia na Zona da Mata contabiliza ao menos 71 óbitos.A morte de Pietro sintetiza o caráter familiar da destruição provocada pela chuva em Juiz de Fora. No mesmo deslizamento, morreram a irmã do menino, Sofia Teodoro Reis Oliveira, 6, o padrasto das crianças e a tia da mãe, Neide Aparecida Teodoro Vicente, de cerca de 60 anos. A mãe de Pietro, Jaqueline Teodoro de Fátima Vicente, 32, chegou a ser resgatada com vida, mas morreu na madrugada de 25 de fevereiro em decorrência dos ferimentos.

Situação em Ubá: uma vítima ainda desaparecida

Em Ubá, que também registrou forte destruição com enxurradas, o corpo de Alex Lucas Pinto, 35, conhecido como “Lekão”, foi localizado embaixo da ponte do Aeroporto, entre entulhos e bambuzal, cerca de cinco dias após a chuva extrema que atingiu o município. Empresário do setor de calçados, Alex era pai de duas crianças, entre elas Ravi, um bebê de três meses, e foi visto pela última vez tentando ajudar pessoas durante a enchente em uma galeria próxima à avenida Beira-Rio, uma das regiões mais castigadas. Ele acabou sendo levado pela correnteza, o que mobilizou amigos e voluntários em buscas paralelas às ações oficiais ao longo da semana.

Mesmo com a localização do corpo do empresário, os Bombeiros mantêm as operações de busca por Luciano Franklin Fernandes, 50, apontado como o último desaparecido em Ubá em decorrência do temporal. Luciano foi arrastado pela enxurrada após ser surpreendido pela água dentro de casa; sua namorada, Edna Silva, 56, conseguiu sobreviver ao permanecer agarrada a um poste por cerca de três horas, em meio à correnteza. As equipes informaram que as buscas por Luciano prosseguem neste domingo (1/3), com varredura em áreas alagadas e trechos de rio no entorno da cidade.

Tragédia regional e contexto das chuvas

As mortes em Juiz de Fora e Ubá se somam a um quadro mais amplo de impactos das chuvas de verão em Minas Gerais, com ocorrência de deslizamentos de encostas, enxurradas súbitas e colapso de estruturas em diversos municípios da Zona da Mata. Em Juiz de Fora, além das vítimas fatais, a prefeitura vem promovendo evacuações preventivas em áreas de risco, diante da instabilidade do solo e da previsão de precipitações ainda irregulares. Em Ubá, bairros às margens de cursos d’água tiveram casas destruídas, veículos arrastados e infraestrutura urbana comprometida, o que levou famílias a abrigos e casas de parentes.

Autoridades avaliam medidas para recuperação das áreas afetadas, com prioridade para remoção definitiva de moradias em áreas consideradas de alto risco geológico. A Defesa Civil também reforça orientações para que moradores de encostas e margens de rios deixem as residências ao primeiro sinal de movimentação de solo, trincas, inclinação de postes ou elevação rápida do nível da água. O objetivo é reduzir o número de vítimas em eventos que, embora associados ao regime de chuvas intensas, têm seus efeitos agravados pela ocupação irregular e pela precariedade de infraestrutura em vários pontos das cidades.

O Metropolitano

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