Café entre Joaquim Barbosa e Aécio Neves movimenta bastidores da sucessão presidencial
Encontro ocorre em meio às articulações de 2026 e após o Democracia Cristã lançar ofensiva para viabilizar candidatura do ex-presidente do STF

Luciano Meira
O encontro realizado nesta semana entre o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC) e o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) repercutiu nos bastidores políticos de Brasília em um momento de intensificação das articulações para a eleição presidencial de 2026. Os dois se reuniram para um café e conversaram sobre o cenário político nacional, sem que tenham sido divulgados detalhes sobre eventuais entendimentos partidários ou eleitorais.
A reunião ocorre poucos dias após novas movimentações envolvendo o nome de Joaquim Barbosa no debate sucessório. O ex-ministro do STF voltou ao centro das discussões políticas depois que dirigentes nacionais do Democracia Cristã (DC) passaram a defender sua filiação e candidatura à Presidência da República. O movimento ganhou força após o rompimento interno que resultou na expulsão de Aldo Rebelo, que vinha sendo apresentado pela legenda como pré-candidato ao Palácio do Planalto.
Embora Barbosa não tenha anunciado oficialmente qualquer intenção de disputar a Presidência, interlocutores do DC vêm tratando seu nome como prioridade para o projeto eleitoral do partido. O ex-presidente do Supremo permanece como uma das figuras públicas de maior reconhecimento nacional fora da política partidária tradicional, especialmente por sua atuação no julgamento da Ação Penal 470, conhecida como processo do Mensalão.
Aécio Neves, por sua vez, continua desempenhando seu papel de liderança residual nas articulações do PSDB, legenda que busca reconstruir espaço político após a perda de protagonismo. O encontro entre os dois foi interpretado por dirigentes partidários como mais um sinal da movimentação de lideranças que procuram reposicionar forças de centro e centro-direita diante de uma disputa nacional já em curso.
A conversa ocorre em uma semana marcada por intensa atividade política entre os pré-candidatos à Presidência. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), manteve agenda voltada à consolidação de sua candidatura e à ampliação de alianças fora do Sudeste. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), também prosseguiu com sua estratégia de nacionalização da pré-campanha, participando de encontros políticos e empresariais. Flávio Bolsonaro (PL) envolvido em escândalos sobre o financiamento do filme biográfico de seu pai com dinheiro do Banco Master e as sanções impostas pelo governo dos EUA — taxas aos produtos de exportação e Pix — após sua visita ao presidente Trump, passou três dias em Minas Gerais em atividades de pré-campanha.
No campo governista, lideranças do PT concentraram esforços na defesa da gestão federal e na articulação da base aliada, enquanto partidos do centro seguem discutindo possíveis composições para a disputa presidencial. Paralelamente, legendas de direita e centro-direita intensificaram negociações sobre alianças regionais, consideradas fundamentais para a montagem dos palanques estaduais que sustentarão as campanhas nacionais.
É nesse contexto que o encontro entre Joaquim Barbosa e Aécio Neves ganha relevância política. Embora não tenha produzido anúncios concretos, a reunião reúne dois personagens com trajetórias de grande visibilidade nacional e ocorre justamente quando diferentes grupos políticos procuram alternativas para ampliar seu espaço na disputa presidencial.
Nos bastidores de Brasília, a avaliação predominante é que a corrida de 2026 entrou em uma fase de consolidação de alianças e reposicionamento estratégico. Nesse ambiente, conversas reservadas entre lideranças passaram a ser observadas como indicativos das negociações que poderão influenciar a formação de chapas, alianças partidárias e apoios regionais nos próximos meses.
Por enquanto, o encontro não resultou em qualquer compromisso público. Ainda assim, ao ocorrer no momento em que o nome de Joaquim Barbosa volta a ser associado a uma possível candidatura presidencial, a conversa com Aécio Neves acrescenta um novo elemento ao complexo tabuleiro político para a sucessão de 2026.
