Carla Zambelli seguirá presa na Itália até decisão sobre extradição ao Brasil
Decisão da Justiça italiana mantém deputada cassada presa enquanto aguarda julgamento do pedido de extradição em caso de invasão ao CNJ e violência

Luciano Meira
A Justiça italiana decidiu na última quarta-feira (27) manter a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) presa na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, até que haja uma decisão definitiva sobre o pedido de extradição solicitado pelo Brasil. Zambelli está detida desde 29 de julho, quando foi localizada e presa em cumprimento a uma ordem internacional emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A parlamentar foi condenada no Brasil a dez anos de prisão com perda de mandato pela participação na invasão hacker aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ocorrida em janeiro de 2023. Além dessa condenação, ela também recebeu outra sentença de cinco anos e três meses por atos violentos, ao sacar uma arma e perseguir um cidadão nas ruas de São Paulo às vésperas das eleições presidenciais de 2022. Considerada foragida da Justiça brasileira, Zambelli deixou o país em maio, passou pelos Estados Unidos e estabeleceu-se na Itália, onde reivindicou imunidade, alegando cidadania italiana.Na Justiça italiana, Zambelli tenta responder ao processo em prisão domiciliar, alegando problemas de saúde, incluindo doenças psiquiátricas e neurológicas graves. Porém, a perícia médica oficial realizada pela Justiça italiana apontou que sua condição de saúde permite a detenção em regime fechado, não encontrando incompatibilidade com a manutenção de sua prisão. O risco de fuga foi outro fator decisivo destacado pelos juízes para a continuidade do cárcere.
Enquanto aguarda o julgamento de extradição, que pode levar cerca de um ano para ser concluído, a deputada continuará detida, conforme a decisão da Justiça do país europeu. A defesa da parlamentar nega os riscos apontados e afirma que ela necessita de suporte multidisciplinar contínuo, enquanto os advogados também argumentam que o processo é motivado por perseguição política.
A permanência da deputada na prisão italiana destaca um novo capítulo da disputa judicial entre Zambelli e o Brasil, mostrando o impacto das condenações envolvendo crimes digitais e atos violentos relacionados ao cenário político nacional.