Celular roubado no Carnaval em Minas: veja como bloquear aparelho e proteger dados

Ferramentas de Minas e app nacional permitem bloqueio rápido de celulares roubados ou furtados, mesmo sem saber o IMEI, e miram folia de Carnaval, quando crescem os registros de ocorrências

Arte RMC
Luciano Meira

Em meio aos blocos de rua lotados em Belo Horizonte e no interior, o roubo e o furto de celulares continuam entre os crimes mais comuns do Carnaval em Minas Gerais, mas o estado oferece um sistema próprio para inutilizar o aparelho em poucos cliques, 24 horas por dia, sem que a vítima precise informar o IMEI do dispositivo. Paralelamente, o governo federal aposta no aplicativo Celular Seguro para ampliar o bloqueio de linhas, aparelhos e aplicativos em todo o país, integrando operadoras, bancos e forças de segurança para reduzir prejuízos e novas fraudes após a perda do telefone móvel.

Bloqueio em Minas: Cbloc funciona 24 horas e dispensa IMEI

Em Minas, o bloqueio de aparelhos roubados ou furtados pode ser feito pela Central de Bloqueio de Celulares (Cbloc), uma plataforma online que funciona ininterruptamente e permite inutilizar o telefone usando apenas dados pessoais e o número da linha, sem exigir o código IMEI, que muitos usuários desconhecem ou não têm à mão depois da ocorrência. O serviço está disponível no site cbloc.seguranca.mg.gov.br e também dentro do aplicativo MG App, na aba “Segurança Pública”, acessível para usuários de Android e iOS em qualquer município mineiro.Para registrar o pedido de bloqueio, o cidadão precisa primeiro fazer o boletim de ocorrência na polícia e, em seguida, preencher no sistema nome completo, CPF, e-mail, estado e cidade onde o crime ocorreu, marca do aparelho, quantidade de chips, número do boletim e número da linha utilizada no celular roubado ou furtado. Após o envio, uma equipe da Secretaria de Justiça e Segurança Pública cruza as informações e solicita o bloqueio do aparelho às operadoras, o que impede sua ativação em qualquer rede móvel, reduz o valor de revenda no mercado ilegal e desestimula o roubo e a receptação de celulares no estado.

Dados do governo mineiro indicam que, apenas em 2025, a Cbloc recebeu mais de 4,2 mil solicitações de bloqueio, com 2,3 mil aparelhos efetivamente inutilizados, e que, no Carnaval do ano passado, 481 pedidos resultaram em 87 bloqueios, números que mostram a adesão gradual da população ao serviço mas também revelam um potencial ainda subexplorado diante do volume de ocorrências de rua no período. Caso o aparelho seja recuperado, o próprio usuário pode solicitar o desbloqueio pela mesma plataforma, medida que busca facilitar a devolução de dispositivos localizados pela polícia ou devolvidos por terceiros, sem burocracia adicional.

Ferramenta nacional: Celular Seguro amplia bloqueio em todo o país

No âmbito nacional, o Ministério da Justiça e Segurança Pública aposta no Celular Seguro, aplicativo e plataforma web criados em 2023 para agilizar o bloqueio de aparelhos, linhas e serviços associados em casos de roubo, furto ou perda, especialmente durante grandes eventos como o Carnaval. A ferramenta permite que o usuário emita um único alerta, a partir de outro aparelho, tablet ou computador, para comunicar o crime e definir o que deseja bloquear: o próprio celular, a linha telefônica, aplicativos bancários e contas em instituições parceiras, sem necessidade de informar o IMEI na hora do registro.

Para usar o Celular Seguro, o cidadão deve acessar o site do serviço ou instalar o app nos sistemas Android ou iOS, fazer login com conta gov.br, concordar com os termos de uso, cadastrar pessoas de confiança que possam acionar o sistema em seu nome e registrar os telefones que deseja proteger, inclusive linhas em que não é titular, desde que haja autorização do responsável pela linha. Em caso de ocorrência, o alerta pode ser criado pelo próprio usuário ou por um contato de confiança, que escolhe o aparelho cadastrado e confirma o envio; a plataforma gera um número de protocolo que deve ser guardado para eventuais atendimentos junto a bancos e demais parceiros.

A ferramenta contabiliza atualmente cerca de 3,81 milhões de usuários cadastrados e registrou 98.786 alertas em 2025, alta de aproximadamente 5,5% na comparação com 2024, o que reforça o uso crescente do sistema em situações de emergência. Levantamentos anteriores indicam que o período de Carnaval concentra picos de bloqueios, com milhares de alertas emitidos em poucos dias, sobretudo em grandes capitais, o que levou o governo federal a planejar a integração da plataforma às polícias civis para permitir a emissão de alertas de bloqueio de IMEI e linhas, o acionamento do chamado “modo recuperação” e até a criação automática de boletins de ocorrência a partir do registro no aplicativo.

Passo a passo: o que fazer após o roubo ou furto

Especialistas em segurança e órgãos públicos recomendam que, em caso de roubo, a vítima priorize a integridade física, evite reagir e só depois busque bloquear o aparelho e seus serviços, presencial ou remotamente. A orientação padrão é registrar o boletim de ocorrência na delegacia física ou pela internet, acionar o bloqueio do aparelho e da linha pela Cbloc em Minas ou pela central da operadora, e, se o celular estiver cadastrado, emitir o alerta no Celular Seguro para atingir também contas bancárias e demais serviços digitais vinculados ao número.

Pelas regras da Anatel, o bloqueio do terminal móvel impede que o aparelho com IMEI registrado volte a se conectar à rede de qualquer operadora, mesmo que o chip seja trocado, o que transforma o dispositivo em um objeto praticamente inútil para criminosos e reduz o incentivo à revenda. Empresas de telefonia, bancos e órgãos públicos alertam ainda que o usuário deve monitorar extratos de cartões, contas digitais e aplicativos financeiros após o roubo, além de alterar senhas de e-mails e redes sociais, já que o acesso ao celular costuma ser porta de entrada para novos golpes, como transferências indevidas e empréstimos fraudulentos.

Prevenção e compra de aparelho usado

As autoridades insistem na importância da prevenção durante o Carnaval, com dicas como não deixar o celular à vista em bolsos traseiros, evitar uso prolongado em multidões, preferir doleiras ou pochetes frontais e habilitar recursos de localização e bloqueio remoto dos sistemas operacionais, como “Buscar iPhone” e “Encontrar meu dispositivo”. O Ministério da Justiça também recomenda que foliões baixe o Celular Seguro e cadastrem aparelhos e contatos de confiança antes da festa, para não perder tempo tentando configurar o aplicativo após uma ocorrência, situação em que a vítima pode estar abalada ou sem acesso a outro dispositivo.

Na compra de celulares usados, o governo federal destaca que o consumidor pode consultar gratuitamente se o aparelho possui restrições nas bases do Celular Seguro e da Agência Nacional de Telecomunicações, o que ajuda a evitar a aquisição de produtos roubados e contribui para esvaziar o mercado ilegal que alimenta crimes patrimoniais em eventos de massa. A recomendação é guardar notas fiscais, anotar o IMEI e desconfiar de ofertas muito abaixo do preço de mercado, sobretudo em vendas informais, já que o bloqueio posterior por roubo não apenas inutiliza o aparelho como pode envolver o comprador em investigações sobre receptação de produto de origem criminosa.

O Metropolitano

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