Chega de mimimi: Médico diz que Bolsonaro não precisa de hospital após crise de soluço

Filhos chamam médico às pressas, mas ex-presidente, que durante a pandemia se dizia “atleta”, passa bem e permanece em casa; declaração de “crise intensa” é minimizada por profissional de saúde

Jair Bolsonaro (PL) – Foto: Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

Uma nova emergência agitou a noite da família Bolsonaro na última segunda-feira (29), quando o ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou uma crise de soluços acompanhada de quatro episódios de vômito descritos por ele mesmo como os mais “intensos até agora”. Em busca de auxílio especializado, os filhos prontamente acionaram o médico responsável, que logo se deslocou até a residência no condomínio em Brasília. As redes sociais fervilharam após Carlos Bolsonaro, vereador do Rio, alertar que poderia ser necessário levar o pai ao hospital. No entanto, o próprio médico minimizou: apesar do susto, não havia necessidade de internação — “foi só um soluço mais insistente”, explicou, dando a entender que nem o controle remoto precisou ser abandonado para a consulta.A crise de soluço — já uma velha conhecida do ex-presidente — ganhou contornos de emergência dignos de filme de ação nas redes da família. Carlos alegou, em tom dramático, que os vômitos teriam sido “os mais intensos até agora” e pediu orações para o pai, enquanto Michelle Bolsonaro cuidava para que o líder ficasse “confortável e tranquilo”. Tudo, claro, sob a vigilância do médico de confiança, que no fim das contas, recomendou repouso doméstico e nada de hospital, deixando claro que a situação estava sob controle bem mais rápido do que os debates sobre cloroquina nos tempos da pandemia.

A ironia do momento não passou despercebida: o mesmo Jair Bolsonaro que durante a crise sanitária global se notabilizou por negar a gravidade da Covid-19, minimizar vacinas, defender tratamentos alternativos e garantir que seu histórico de “atleta” o protegeria de qualquer gripezinha, agora mobiliza família, médico e redes sociais diante de um episódio de soluço. O contraste revela uma inversão peculiar dos papéis: enquanto a população era chamada por Bolsonaro a enfrentar vírus letais “sem mimimi”, agora são seus filhos que apelam para que uma epidemia de soluços não o derrube no sofá presidencial aposentado.

Segundo ficou registrado junto à imprensa, a ida do médico à casa já estava previamente agendada para retirada de pontos de cirurgias recentes na pele, o que coincidiu com o novo mal-estar. Bolsonaro, que desde agosto cumpre prisão domiciliar, tem apresentado quadros recorrentes envolvendo soluços, vômito e episódios de desidratação desde o atentado de 2018, tendo sido atendido em hospitais outras três vezes apenas nos últimos meses. Mesmo assim, o diagnóstico desta vez foi claro: descanso, hidratação e nenhuma necessidade de hospitalização — contrariando o tom alarmista dos herdeiros e mostrando que, pelo menos desta vez, nem o “histórico de atleta” foi posto à prova.

Assim, entre soluços, elogios à fé, hashtags emocionadas e o alarde familiar, Bolsonaro encerrou a noite confortavelmente em casa, sem precisar recorrer ao sistema de saúde ou – vejam só – à cloroquina. Quem diria que, no fim, o segredo do atleta seria mesmo só um bom copo d’água e paciência para aturar mais um round de “mimimi” familiar.

O Metropolitano

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