Chuvas históricas deixam 15 mortos em Juiz de Fora e calamidade é decretada

Temporal na Zona da Mata provoca soterramentos, alagamentos e 440 desabrigados; fevereiro registra recorde de pluviosidade com 584 mm em seis horas

Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

Juiz de Fora, maior cidade da Zona da Mata mineira, vive tragédia nesta terça-feira (24) com pelo menos 15 mortes confirmadas em decorrência de fortes chuvas que provocaram deslizamentos de terra, soterramentos e transbordamento de rios, levando a prefeitura a decretar estado de calamidade pública por 180 dias e suspender aulas na rede municipal.O temporal, iniciado na noite de segunda-feira (23), acumulou até 584 mm de chuva em seis horas – o dobro do esperado para todo o mês de fevereiro –, tornando-se o período mais chuvoso da história da cidade e gerando mais de 100 ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros, incluindo 20 soterramentos em bairros como Paineiras, Cerâmica, Esplanada, Três Moinhos, Santa Rita e Parque Burnier.

Destruição generalizada e resgates

O Rio Paraibuna e córregos transbordaram, inundando vias como a Avenida Brasil e Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, interditando o Mergulhão, a Ponte Vermelha e derrubando árvores em diversos pontos da cidade. No bairro Paineiras, um barranco desabou sobre um prédio e casas na rua Engenheiro Murilo Miranda de Andrade, soterrando pelo menos duas pessoas – uma foi resgatada com vida, mas o marido permanece desaparecido.

Mais de 440 pessoas foram desalojadas ou desabrigadas, com sobreviventes encaminhados ao Hospital de Pronto-Socorro (HPS), referência no atendimento às vítimas. Equipes de bombeiros, com mais de 20 militares, cães farejadores e equipamentos de salvamento, atuam desde a madrugada em buscas e resgates, alertando para alto risco de novos deslizamentos devido ao solo saturado.

Medidas oficiais e histórico recente

A prefeita Margarida Salomão (PT), decretou calamidade pública na madrugada desta terça, permitindo agilizar contratações emergenciais, apoio federal e estadual para reconstrução de infraestrutura danificada. As aulas em escolas municipais foram suspensas, e a Defesa Civil orienta moradores de encostas a evacuarem áreas com rachaduras ou inclinações.

Fevereiro já registra recorde histórico de chuvas, superando 1988, com acumulados que dobram a média mensal; no domingo anterior (22), outro temporal provocou 36 ocorrências. A prefeitura monitora a previsão de mais precipitações e atualiza balanços no site oficial e redes sociais.

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