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Cientistas baianos produzem carne em impressora 3D sem abate animal

Projeto CELLMEAT 3D, do SENAI CIMATEC, vence prêmio de inovação e busca alternativas sustentáveis à proteína tradicional em meio à crescente demanda global

Pexels
Luciano Meira

Pesquisadores do SENAI CIMATEC, em Salvador (BA), desenvolveram há dois anos a CELLMEAT 3D, carne cultivada em laboratório a partir de células animais obtidas por biópsia, sem necessidade de abate ou sofrimento do animal, e modelada por impressora 3D para simular textura e forma da carne convencional. O projeto venceu o Prêmio Finep Nordeste de Inovação 2025, na categoria Agroindústrias Sustentáveis, e agora disputa a etapa nacional, destacando-se como avanço na produção de proteínas. A iniciativa, financiada pela Finep, ainda está em fase experimental e não chega ao mercado, mas já atrai atenção por alinhar ciência brasileira a desafios globais de alimentação.A carne cultivada surge como resposta à explosão demográfica e à pressão por proteínas, prevista para crescer 70% até 2050 segundo a FAO, reduzindo emissões de metano e desmatamento associados à pecuária tradicional. No processo, células estaminais de biópsia são nutridas em biorreatores para multiplicar-se em tecidos como músculo ou gordura, impressos em 3D com comandos digitais de gordura, textura e formato, seguidos de maturação. Diferente de alternativas vegetais, como as da israelense Redefine Meat, a CELLMEAT usa células animais reais, visando composição nutricional similar à carne comum, com potencial para ajustes personalizados de saúde no futuro.

Entre as vantagens, destacam-se o menor impacto ambiental –com redução de até 96% nas emissões de gases de efeito estufa, conforme estudos internacionais–, respeito ao bem-estar animal e escalabilidade para suprir demandas crescentes sem expandir pastagens. A pesquisadora Keina Dourado enfatiza que o objetivo não é substituir a carne tradicional, mas diversificar opções proteicas de forma ética e sustentável. No Brasil, a Anvisa avançou com a Resolução RDC 839/2023, facilitando avaliações de novos alimentos, embora ajustes regulatórios ainda sejam necessários para comercialização.

Apesar dos benefícios, persistem desvantagens como o alto custo atual, impulsionado por insumos da indústria farmacêutica, e a ausência de dados consolidados sobre sabor, textura e perfil nutricional da CELLMEAT, etapas pendentes no projeto. Críticos questionam a aceitação sensorial e o risco de contaminação em biorreatores, além de debates éticos sobre manipulação genética de células. Globalmente, carnes cultivadas já são vendidas em pequena escala em Singapura e Israel, mas o preço –equivalente a dezenas de dólares por quilo– limita a viabilidade comercial.

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