Com 36 novos empregadores incluídos, Minas Gerais lidera “Lista Suja” do trabalho escravo

Atualização nacional soma 615 nomes e mais de 2,2 mil trabalhadores resgatados; cantor Amado Batista e montadora BYD estão entre os incluídos

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Luciano Meira

Minas Gerais voltou a liderar o ranking nacional da “Lista Suja” do trabalho escravo, com a inclusão de 36 novos empregadores na atualização divulgada nesta semana pelo Ministério do Trabalho. O cadastro, que reúne patrões e empresas responsabilizados por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão, agora totaliza 615 nomes em todo o país, após a adição de 169 registros – um aumento de 6,28% em relação ao levantamento anterior – e a exclusão de 225 que cumpriram o prazo de dois anos. As fiscalizações resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores explorados, evidenciando a persistência do problema apesar dos esforços de combate.

Contexto da “Lista Suja”

A “Lista Suja” é um cadastro público atualizado semestralmente pelo governo federal, criado para promover transparência e inibir práticas de exploração laboral. Nela, entram empregadores após processos administrativos concluídos, com direito a contraditório e ampla defesa, e os nomes permanecem por dois anos, podendo gerar restrições a crédito e danos à reputação. Historicamente, Minas Gerais figura no topo do ranking, com setores como serviços domésticos, pecuária de corte, cultivo de café e construção civil concentrando a maioria dos casos, além de atividades como preparação de terreno e colheita.

Ranking por estados

Após Minas Gerais, destacam-se São Paulo (20 novos casos), Bahia (17), Paraíba (17) e Pernambuco (13), reforçando a dispersão regional do problema em áreas urbanas e rurais.

EstadoNovos empregadores
Minas Gerais36
São Paulo20
Bahia17
Paraíba17
Pernambuco13
Goiás10
Mato Grosso do Sul10
Rio Grande do Sul9
Mato Grosso7
Paraná6

Casos de repercussão

Entre os novos incluídos, o cantor Amado Batista foi autuado em duas propriedades na região metropolitana de Goiânia, com 14 trabalhadores envolvidos; sua assessoria nega resgates e afirma que irregularidades ocorreram com terceirizada, com todas as obrigações quitadas via TAC . A montadora BYD entrou na lista por condições degradantes em canteiro de obras na Bahia, onde 220 trabalhadores chineses foram resgatados em alojamentos precários, com retenção de passaportes e salários; a empresa culpou terceirizadas e firmou acordo de R$ 40 milhões com o MPT. Esses episódios nacionalmente notórios sublinham vulnerabilidades em cadeias produtivas diversificadas.

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