Como dobrar uma dívida e ainda sair de bonzinho: a epopeia financeira de Romeu Zema em Minas
Enquanto a dívida do estado quase dobra sob seu comando, Zema aposta na sucessão doméstica para garantir que a "sorte" continue, mesmo com pesquisas mostrando que seu desempenho e de seu sucessor estão longe de serem minimamente relevantes

Luciano Meira
Desde que Romeu Zema (Novo), assumiu o governo de Minas Gerais em 2019, a dívida do estado cresceu mais de 50%, saltando de cerca de R$ 114 bilhões para algo em torno de R$ 201 bilhões, principalmente devido à dívida com a União, que representa a maior parte desse montante. Apesar de todo o marketing vendendo a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal como uma solução milagrosa, a realidade fiscal do estado segue caótica, com o governador mais acumulando dívidas do que pagando qualquer valor considerável.
De fato, em vez de se livrar ou ao menos diminuir a dívida, Zema preferiu manter o estado nessa montanha-russa de endividamento, com o reforço de que a solução do problema seria “impossível” ou “anta lógica do mercado privado”, como ele mesmo chegou a afirmar na defesa de renegociações que implicam ainda mais juros para os mineiros. E quem vai herdar essa “lapa” de contas? O vice-governador Mateus Simões (PSD), o nome que Zema insiste em emplacar para sucedê-lo, um político que, segundo levantamentos recentes, tem rejeição de 65% dos eleitores em Minas e aparece modesto em pesquisas para o governo estadual.
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No cenário nacional, a pré-candidatura presidencial de Zema também não engrena. Pesquisas mostram que ele mal ultrapassa os 11% das intenções de voto no seu melhor cenário, e a maioria do eleitorado brasileiro (52%) nem o conhece direito. Ou seja, a estrela de Zema não está brilhando no céu nacional. E longe de Minas Gerais, seu vice Simões que pulou de partido tentando se estabelecer politicamente, nem conseguiu empolgar a maior parte do eleitorado.
Evolução da Dívida Pública de Minas Gerais (2019-2025)
A tabela abaixo resume o estoque da dívida total de Minas Gerais, ano a ano, desde o início da gestão de Romeu Zema em janeiro de 2019 até novembro de 2025, com base em dados oficiais da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF-MG). Os valores refletem o crescimento impulsionado principalmente pela dívida com a União, acrescida de juros durante período de suspensão de pagamentos.
| Ano | Dívida Total (R$ bilhões) | Dívida com a União (R$ bilhões) | Observações |
| 2019 (jan) | 114,7 | 88,7 | Início da gestão Zema; liminar STF suspende pagamentos. |
| 2019 (dez) | 123,4 | 94 | Crescimento inicial por indexadores. |
| 2022 | 103,8 | – | Tentativa de adesão ao RRF. |
| 2023 (out) | 165,7 | 156,6 | Aumento de 45% desde 2019. |
| 2024 | 165 | – | Retomada de pagamentos em outubro. |
| 2025 (ago) | 196,2 | 172 | Quase 60% de alta desde dez/2019. |
| 2025 (nov) | 201,1 | 177,5 | Quase dobra desde jan/2019 (+76%). |
Os números mostram um salto expressivo, com a dívida total passando de R$ 114,7 bilhões para mais de R$ 200 bilhões em menos de sete anos, apesar de pagamentos pontuais recentes somando R$ 10 bilhões à União.
A ironia é grossa: enquanto Zema se endivida como se fosse um campeão mundial do cartão de crédito e vende sua sucessão como um projeto de continuidade, o eleitorado mineiro parece não querer repetir essa dose amarga de “gestão fiscal”. O governo que prometia austeridade e responsabilidade fiscal coleciona números que enxergam o buraco fundo da conta pública, com uma dívida que assusta e um vice que amedronta ainda mais as possibilidades eleitorais.
