Congresso refém: direita trava isenção do IR para privilegiar golpistas e sacrifica milhões

Enquanto 20 milhões de brasileiros aguardam justiça tributária, Câmara e Senado se transformam em trincheira de manobras antidemocráticas para proteger Bolsonaro e aliados, ignorando interesses do país

Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

A menos de 48 horas do prazo para votação final da Medida Provisória que corrigiu a tabela do Imposto de Renda — garantindo isenção para quem ganha até R$3.036 mensais e deixando pronta a proposta de ampliação para quem recebe até R$5.000 —, deputados e senadores da direita submetem o Congresso ao mais imoral bloqueio político desde a redemocratização. Obstrução é instrumento legítimo, mas o que se vê hoje é uma sabotagem pura, cujo único objetivo é chantagear a democracia em defesa dos envolvidos nos crimes de 8 de janeiro e do ex-presidente Jair Bolsonaro, réu por tentativa de golpe e crimes correlatos.O que está em jogo? Nada menos que o bolso de 20 milhões de brasileiros, que só com a nova isenção para renda até R$5.000 deixariam de pagar um tributo injusto e defasado. Desde a última reforma, cerca de 10 milhões já se beneficiaram; com o novo teto seriam mais 10 milhões de pessoas aliviadas da cobrança, muitas de classe média e baixa, justamente os que mais sustentam a economia nacional e dependem do consumo para manter a roda girando. O bloqueio impede a entrada em vigor de um avanço aprovado pelo governo e defendido pela sociedade, além de ameaçar 90 milhões de pessoas que estão hoje na faixa de isenção total ou parcial.

O que justifica tamanha afronta ao interesse público? A movimentação de parlamentares da direita, liderados por bolsonaristas, reflete não apenas desespero, como a constatação de que a condenação de Bolsonaro e sua quadrilha se tornou questão de tempo. Após ser tornado réu unanimemente pelo STF por crimes de organização criminosa, tentativa de golpe e dano qualificado à nação, restou-lhes apenas a tática do caos: criar barreiras, sem reparar no prejuízo crescente imposto ao trabalhador, num teatrinho para gerar instabilidade institucional e construir narrativas de anistia para criminosos.

O cenário beira o escárnio: o país pode perder até R$10 bilhões em exportações para os EUA por conta de tarifas impostas por Donald Trump, num “acordo” celebrado pelo próprio Eduardo Bolsonaro — que chega a se gabar publicamente das sanções capitaneadas por si e pelo pai contra os próprios interesses nacionais. A conspiração, digna da infâmia da Inconfidência Mineira, atinge 36% das exportações brasileiras, penalizando setores estratégicos como café e carne e empurrando estados inteiros à crise, especialmente os onde o bolsonarismo tem mais força eleitoral.

O centro nervoso desse impasse não é regimentalidade, é impunidade: milhões veem seu direito ser confiscado em nome de uns poucos criminosos. Parlamentares de direita, hoje, não procrastinam apenas uma votação tributária, procrastinam o futuro de uma nação para blindar delinquentes e apostar na desordem.

A história — e os cidadãos — não esquecerão o dia em que o Congresso virou refém de quem conspira contra o Brasil.

O Metropolitano

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