CPMI do INSS cancela reunião após ex-noiva de Vorcaro não ser localizada

Colegiado avalia condução coercitiva de testemunha residente no exterior e aguarda prorrogação de prazo

Daniel Vorcaro e Martha Graeff – Foto: Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS cancelou a sessão prevista para esta segunda-feira (23) após não localizar Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, e receber a notícia da internação do presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção. O colegiado investiga fraudes em descontos indevidos contra aposentados e o possível uso irregular de dados previdenciários. A comissão agora avalia pedir a condução coercitiva da modelo, considerada testemunha-chave para esclarecer as relações de Vorcaro com autoridades.

O cancelamento ocorre em um momento de pressão sobre o cronograma dos trabalhos, que têm encerramento previsto para o próximo sábado (28). O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), busca no Supremo Tribunal Federal (STF) uma liminar para prorrogar o prazo da comissão. Sem a extensão, o relator Alfredo Gaspar (União-AL) deve apresentar o relatório final ainda nesta semana, com leitura prevista para o dia 25.Martha Graeff, que reside em Miami, nos Estados Unidos, não respondeu às tentativas de contato da Polícia Legislativa e não foi formalmente intimada. Parlamentares acreditam que ela possui informações relevantes sobre agendas e negócios de Vorcaro, dono do Banco Master. Mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicariam diálogos sobre encontros de Vorcaro com ministros e relatos de suposta extorsão em Brasília.

A defesa de Graeff afirma que a modelo desconhecia qualquer irregularidade e se via apenas como namorada de um empresário de sucesso. O advogado Lúcio de Constantino argumentou que o depoimento estaria prejudicado por decisão anterior do STF, que vedou o acesso a mensagens íntimas entre o casal. Segundo ele, não haveria base jurídica para a oitiva se o interesse se restringir a provas consideradas protegidas pela corte.

O outro depoente do dia, Rodrigo Assumpção, foi hospitalizado e terá sua oitiva remarcada pela terceira vez. A Dataprev é alvo de questionamentos sobre a segurança dos dados de segurados do INSS. Parlamentares da oposição criticam a sucessão de adiamentos e apontam uma “blindagem” que dificulta o avanço das investigações sobre o Banco Master e entidades ligadas a descontos sindicais.

O embate entre a CPMI e o Judiciário tem marcado a reta final dos trabalhos. Recentemente, o ministro André Mendonça, do STF, concedeu habeas corpus a outros convocados, desobrigando o comparecimento sob o argumento do direito à não autoincriminação. O senador Carlos Viana classificou tais decisões monocráticas como interferências que prejudicam a capacidade investigativa do Legislativo.

A paralisia das oitivas gera um impacto político direto, pois limita o alcance das conclusões do relatório final sobre o esquema de fraudes bilionárias no sistema previdenciário. Socialmente, o cancelamento frustra a expectativa de reparação para milhares de aposentados atingidos por descontos indevidos. Economicamente, a falta de punição para instituições financeiras envolvidas pode fragilizar a regulação do crédito consignado no país.

O Metropolitano

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