Crise e violência marcam o Presídio Inspetor José Martinho Drumond em Ribeirão das Neves
Mortes de detentos, agressões e clima de tensão expõem falhas estruturais e reacendem debate sobre superlotação e segurança na unidade prisional de Minas Gerais

Luciano Meira
O Presídio Inspetor José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, Minas Gerais, enfrenta uma grave crise de violência e instabilidade nas últimas semanas. Entre os dias 3 e 6 de julho, ao menos três detentos foram mortos e outros dois ficaram gravemente feridos em uma série de agressões dentro da unidade, transformando o presídio em um verdadeiro “barril de pólvora” segundo relatos de agentes penitenciários e autoridades do sistema prisional.
Os episódios mais recentes incluem o assassinato de Luiz Eduardo Barbosa, de 28 anos, encontrado morto na cela 9 da Ala 1 no domingo (6/7). Dois outros presos confessaram o crime, mas se recusaram a revelar a motivação à Polícia Civil, que assumiu as investigações. Dias antes, Alexandre Siqueira de Freitas, de 33 anos, foi espancado por colegas de cela e morreu após ser socorrido. Os agressores também foram identificados e responderão a procedimentos disciplinares e criminais.Além das mortes, há relatos de presos internados em estado grave após espancamentos, o que evidencia o clima de tensão e insegurança dentro da unidade. Fontes internas e representantes do sindicato dos policiais penais classificam a situação como “insustentável”, com denúncias de que as mortes podem ter sido cometidas para desafiar a direção do presídio e o Judiciário, que havia visitado a unidade recentemente.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que todas as medidas administrativas estão sendo tomadas e que as unidades são fiscalizadas por diferentes órgãos de controle. Ainda assim, a escalada da violência reacendeu debates sobre a superlotação, a mistura de presos de diferentes regimes e facções, e a falta de estrutura adequada para lidar com detentos de alta periculosidade.
O contexto é agravado por discussões sobre a possível transferência de presos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) para o presídio, o que tem gerado forte reação da população local e de autoridades municipais, que temem um aumento ainda maior da violência e do risco de fugas em massa. A prefeitura de Ribeirão das Neves chegou a lançar uma petição pública contra a medida, alegando desprezo do governo estadual pela segurança da cidade e dos próprios servidores do sistema prisional.
Além dos homicídios, o presídio também registrou tentativas de fuga, apreensões de drogas sintéticas e celulares, e protestos de detentos por melhorias nas condições de alimentação e saúde, compondo um quadro de crise multifacetada que desafia as autoridades de Minas Gerais.
A Polícia Civil segue investigando as mortes e agressões, enquanto o governo estadual promete reforço nas ações de fiscalização e melhorias estruturais, mas a situação permanece tensa e sob forte acompanhamento do público.