Custam caro, não fazem quase nada e quando fazem o resultado é o que vimos esta semana
Deputados encaminhados ao Conselho de Ética por quebra de decoro acumulam baixo desempenho parlamentar, pautas irrelevantes e despesas injustificáveis
Luciano Meira
No centro do novo impasse político da Câmara dos Deputados, uma lista de 14 parlamentares denunciados por quebra de decoro revive um questionamento incômodo: afinal, o que produzem de útil para o país os deputados que lideraram o motim contra o devido funcionamento do Legislativo nesta semana? Sob críticas crescentes do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do próprio contribuinte, esses nomes colecionam desempenho parlamentar pífio, dedicação quase exclusiva a projetos fisiológicos e pautas de costume, além de gastos injustificáveis que pesam sobre o orçamento da União.
Baixo desempenho e atuação superficial
Levantamentos recentes mostram que cerca de 80% dos deputados federais mantêm desempenho mediano ou fraco, segundo diferentes rankings de transparência e produção legislativa. Na lista dos encaminhados ao Conselho de Ética, nomes como Marco Feliciano (PL-SP) figuram justamente entre os piores avaliados, com duas estrelas, conforme a plataforma Legisla Brasil: pouca apresentação de projetos relevantes, baixa articulação nas comissões e quase nenhum resultado expressivo em matérias de interesse nacional.Casos como o de Carlos Jordy (PL-RJ) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) exemplificam o uso da máquina pública para autopromoção. Jordy é investigado por uso irregular da cota parlamentar, tendo ressarcido despesas em casas de entretenimento adulto com dinheiro público. Sóstenes, por sua vez, atua como ponte direta da bancada evangélica e é autor do polêmico projeto que equipara o aborto legal ao homicídio, sem demonstração de conhecimento técnico em questões orçamentárias ou um histórico de proposições concretas voltadas para o desenvolvimento nacional. Seus projetos majoritários giram em torno de pautas de costumes e intervenções simbólicas, sem impacto social relevante.
Chefe de pauta irrelevante e firulas legislativas
A despeito de cargos como liderança da minoria ou da oposição, os deputados Sóstenes, Zucco (PL-RS), Caroline de Toni (PL-SC) e outros dedicam esforço incomum às pautas ditas de costume e à aprovação de Moções de Congratulação, votos de repúdio, títulos de cidadania e datas comemorativas. Itens que, apesar do alto custo de tramitação para a sociedade, trazem retorno praticamente nulo para o cidadão. Enquanto temas centrais como reforma tributária e acompanhamento eficiente do orçamento nacional são relegados — ou servem apenas como massa de manobra ideológica —, as poucas ações práticas acabam virando palanque eleitoral para interesses corporativos ou religiosos.
No caso de Nikolas Ferreira (PL-MG), embora lidere recordes de votação e popularidade digital, seu histórico legislativo apresenta baixíssima produtividade e prioridade em proposições que combatem a linguagem neutra ou instituem datas comemorativas, sem fiscalização de recursos públicos ou atuação técnica nas discussões orçamentárias.
Já Zé Trovão (PL-SC), cuja trajetória é marcada mais por atos antidemocráticos do que por trabalho parlamentar, continua com restrições judiciais e não oferece nenhum projeto substantivo que dialogue com temas centrais do orçamento, da saúde ou da educação.
O que entregam de útil e a que custo
Algumas exceções pontuais existem. Domingos Sávio (PL-MG) e Caroline de Toni apresentam certo destaque em rankings de desempenho, em seus estados, Minas Gerais e Santa Catarina, respectivamente, por atuação em saúde e infraestrutura. Mas a regra permanece: a maioria dedica-se a firulas legislativas, interferências em pautas morais, requisições protocolares, e protagonismo em obstrução — como ficou patente no motim recente — ignorando as verdadeiras prioridades do país.
No balanço final, o contribuinte paga caro para manter deputados que optam por travar o desenvolvimento nacional, seja paralisando a Câmara para protestar contra ordem judicial, seja promovendo projetos irrelevantes ou gastando dinheiro público em interesses privados. Entre moções de aplauso e requerimentos sem fundamente técnico, a utilidade é mínima e o desperdício é máximo — um retrato crítico de uma bancada que contribui muito pouco para o avanço do Brasil e muito demais para o próprio bolso.
A lista encaminhada ao Conselho de Ética pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB):
Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL
Zucco (PL-RS), líder da minoria
Carlos Jordy (PL-RJ)
Nikolas Ferreira (PL-MG)
Caroline de Toni (PL-SC)
Marco Feliciano (PL-SP)
Domingos Sávio (PL-MG)
Zé Trovão (PL-SC)
Bia Kicis (PL-DF)
Paulo Bilynskyj (PL-SP)
Marcos Pollon (PL-MS)
Júlia Zanatta (PL-SC)
Marcel Van Hattem (Novo-RS), líder do Novo
Allan Garcês (PP-MA)