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Depois de patinar no Sul e Sudeste, Zema tenta a sorte no Nordeste

Pré-candidato do Novo tenta ampliar sua projeção nacional, mas enfrenta baixa intenção de voto, desgaste por declarações sobre o Nordeste e a força eleitoral de Lula na região

Romeu Zema (Novo) – Reprodução Redes Sociais

Luciano Meira

A nova incursão de Romeu Zema (Novo), pelo Nordeste tem menos relação com a agenda administrativa e mais com a necessidade política. Desde que assumiu de vez a condição de pré-candidato à Presidência, o ex-governador mineiro busca romper a barreira que limita seu conhecimento fora de Minas Gerais. A própria direção do Novo admite que as viagens pelo país fazem parte de uma estratégia para nacionalizar seu nome, hoje ainda restrito a parcelas do eleitorado do Sudeste.

O problema é que os resultados seguem modestos. As pesquisas eleitorais continuam mostrando Zema distante dos principais polos da disputa presidencial. Levantamentos recentes da Genial/Quaest indicam que ele permanece atrás de Lula nos cenários testados, na pesquisa divulgada hoje Lula tem 39% de intenções de voto, quase 20 vezes mais do que Zema que amarga modestos 2%, sem apresentar até agora o crescimento que seus aliados esperavam após meses de exposição nacional.

É nesse contexto que surge a aposta nordestina. Depois de percorrer estados do Sul e do Sudeste sem alterar significativamente seu desempenho nas pesquisas, Zema tenta avançar justamente na região onde enfrenta sua maior dificuldade política. Não se trata apenas de baixa presença eleitoral. O governador acumulou nos últimos anos declarações que foram interpretadas por lideranças políticas e por amplos setores da opinião pública como preconceituosas em relação ao Nordeste.

As falas sobre uma frente política do Sul e Sudeste para fazer contraponto ao Nordeste, além de comparações depreciativas envolvendo os estados nordestinos, provocaram forte reação de governadores, parlamentares e entidades regionais. O episódio permanece associado à imagem de Zema e tende a reaparecer a cada nova visita à região. Em política, memória seletiva existe, mas adversários raramente deixam temas desse tipo cair no esquecimento.

Há ainda um desafio estrutural. O Nordeste segue sendo o principal reduto eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo durante o governo Bolsonaro, quando a direita ocupava o Palácio do Planalto e controlava a máquina federal, a hegemonia lulista na região jamais foi efetivamente quebrada. Para um candidato que ainda luta para se tornar conhecido nacionalmente, entrar nesse território significa disputar votos em um ambiente historicamente adverso.

Por isso, a viagem de Zema ao Nordeste se parece mais com uma tentativa de reverter uma tendência do que com a consolidação de uma candidatura em ascensão. O Novo aposta que a exposição nacional acabará transformando conhecimento em intenção de voto. Até aqui, porém, os números não confirmam a tese. E se o Sul e o Sudeste não produziram o impulso esperado, o Nordeste — onde pesam tanto a força de Lula quanto as lembranças das declarações do ex-governador — pode se revelar um teste ainda mais difícil para o presidenciável mineiro.

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