Desemprego cai a 5,4% e atinge menor nível desde 2012

Avanço do emprego formal e renda em alta consolidam mercado de trabalho aquecido e reforçam discurso de boa condução da economia pelo governo federal

Arquivo RMC
Luciano Meira

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no trimestre encerrado em outubro de 2025, o menor nível desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012, de acordo com o IBGE. O índice ficou abaixo das projeções do mercado e é acompanhado por recordes de vagas com carteira assinada e aumento real da renda, o que é comemorado pelo governo como resultado de uma estratégia de estímulo ao emprego e à atividade econômica. O número de desocupados recuou para cerca de 5,9 milhões de pessoas, também o menor patamar da série, indicando um mercado de trabalho mais robusto e com maior capacidade de absorver mão de obra.​Nível de desemprego em patamar histórico

Segundo a Pnad Contínua, a taxa de desocupação passou de 5,6% para 5,4% entre os trimestres anteriores e o encerrado em outubro, consolidando uma trajetória de queda que vem sendo observada desde 2021. O resultado chega após sucessivas reduções ao longo de 2025, com marcas já consideradas históricas, como os 5,8% no segundo trimestre e 5,6% no trimestre encerrado em setembro, todos no piso da série.​

O contingente de desempregados caiu para aproximadamente 5,9 milhões de pessoas, volume bem inferior ao observado no auge da crise econômica e sanitária, quando o país chegou a registrar mais de 14 milhões de desocupados. Ao mesmo tempo, o nível de ocupação e a taxa de participação na força de trabalho se mantêm elevados, sinalizando que a melhora não decorre apenas da saída de pessoas do mercado, mas de criação efetiva de postos de trabalho.​

Geração de empregos formais e política econômica

Os dados da Pnad se somam aos números do Caged, que apontam a criação de 1,8 milhão de empregos formais entre janeiro e outubro deste ano, com o estoque de vínculos celetistas chegando a quase 49 milhões, o maior da série. O Ministério do Trabalho destaca que o saldo é positivo em todos os grandes setores econômicos e em praticamente todas as unidades da Federação, reforçando a capilaridade da recuperação.​

No governo federal, a leitura é de que o bom desempenho reflete a combinação de políticas de estímulo ao investimento, aumento real do salário mínimo e programas de crédito e apoio a pequenos negócios. Integrantes da área econômica têm usado os números para sustentar o argumento de que a estratégia de crescimento com inclusão, ancorada em obras de infraestrutura, reindustrialização e expansão do consumo das famílias, vem se traduzindo em vagas formais e redução do desemprego.​

Renda em alta e queda da informalidade

Além da queda na taxa de desocupação, o rendimento real habitual também registra os melhores resultados da série histórica, alcançando valores próximos de R$ 3,5 mil, com crescimento tanto na comparação trimestral quanto anual, segundo o IBGE. Essa recuperação da renda real ajuda a sustentar o consumo interno e contribui para um círculo virtuoso em que o aumento da demanda retroalimenta a criação de empregos.​

A informalidade permanece elevada, mas vem oscilando em patamar menor do que o registrado na década anterior, com taxas próximas a 38%, após já ter superado 40% em períodos recentes. Especialistas observam que a melhora qualitativa do mercado de trabalho — com mais vagas com carteira assinada e maior proteção social — indica um movimento consistente, e não apenas um efeito estatístico de curto prazo.​

Desafios e perspectivas para 2026

Economistas avaliam que o mercado de trabalho opera hoje perto do chamado “pleno emprego” estatístico, o que tende a reduzir o espaço para novas quedas expressivas da taxa de desocupação sem ganhos de produtividade e investimentos adicionais. A expectativa de parte dos analistas é de alguma estabilização do índice em torno de 5% a 6% em 2026, com possíveis ajustes em função do ciclo de juros, da inflação e do cenário internacional.​

Apesar da melhora, persistem desafios ligados à qualidade das ocupações, à elevada rotatividade e à necessidade de qualificação profissional para sustentar taxas mais altas de crescimento e salários melhores. O governo afirma que pretende usar os dados recentes como plataforma para avançar em políticas de formação, ampliação da indústria de maior valor agregado e investimentos regionais, com a meta de manter o desemprego em patamar historicamente baixo e ancorar a narrativa de estabilidade econômica.

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