Desenrola Rural que já beneficiou 440 mil produtores é prorrogado

Governo estende prazo de adesão até 30 de janeiro para agricultores familiares regularizarem dívidas com descontos de até 90%

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Luciano Meira

O governo federal prorrogou o prazo de adesão ao programa Desenrola Rural para o dia 30 de janeiro de 2026. A medida visa permitir que agricultores familiares e cooperativas em situação de inadimplência regularizem débitos junto à União e retomem o acesso a linhas de crédito, como as do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Até o momento, mais de 440 mil produtores já utilizaram a iniciativa para quitar ou renegociar suas dívidas.Lançado originalmente em fevereiro de 2025, o programa foca na recuperação financeira de pequenos produtores rurais. O novo cronograma foi estabelecido pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para ampliar o alcance dos benefícios, que incluem abatimentos significativos em juros e multas. As negociações são realizadas por meio do sistema Regularize, da PGFN, ou diretamente com instituições financeiras e o Incra, dependendo da natureza do débito.

Regras e condições

Podem participar do Desenrola Rural agricultores familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas e comunidades tradicionais. O programa contempla dívidas inscritas na Dívida Ativa da União (DAU) ou vinculadas a fundos constitucionais contratadas entre 2012 e 2022.

As condições de renegociação variam conforme o perfil do produtor e o valor da dívida:

Dívidas de pequeno valor: Débitos de até 60 salários mínimos podem ter descontos de até 50% para quitação em curto prazo ou parcelamento em até 55 meses.
Agricultura familiar: Em certas modalidades, os descontos chegam a 90% para liquidação, com possibilidade de parcelamento do saldo remanescente em até 145 vezes para pessoas físicas.
Pequenas pendências: Inadimplências relacionadas a contas de consumo, como água e luz, não impedem o acesso a novos créditos se o produtor aderir ao programa.

Impacto no campo

De acordo com dados da PGFN, o programa já movimentou cerca de R$ 6 bilhões em dívidas renegociadas. A Região Nordeste lidera o volume de operações, seguida pela Região Sul. A regularização é considerada estratégica para o setor, pois permite que o produtor volte a investir na produção por meio de novos financiamentos de custeio.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário ressalta que a prorrogação busca garantir que produtores com menor acesso a informações técnicas tenham tempo hábil para buscar orientação junto a sindicatos e associações e formalizar suas propostas.

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