Dia das matrizes africanas reforça luta contra preconceito no país

Brasil celebra tradições do candomblé em data marcada por combate ao racismo

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Luciano Meira

O Brasil celebra neste sábado (21) o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé. Sancionada em 2023, a Lei nº 14.519 instituiu a celebração em convergência com o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, estabelecido pela ONU em 1966. A data nacional busca o reconhecimento institucional de tradições religiosas historicamente marginalizadas.

A escolha do dia 21 de março remete ao Massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960 na África do Sul. Na ocasião, a polícia do regime do apartheid matou 69 pessoas que protestavam pacificamente contra a Lei do Passe. No contexto brasileiro, a institucionalização da data para o candomblé atende a demandas históricas por proteção contra o racismo religioso e pela preservação de territórios sagrados.Dados do Ministério dos Direitos Humanos indicam que as religiões de matriz africana são os principais alvos de intolerância no país. As denúncias de racismo religioso cresceram 12,2% entre 2025 e 2026, totalizando 389 registros no Disque 100. Umbanda e candomblé concentram a maioria dessas ocorrências, que incluem ataques físicos a terreiros e criminalização de símbolos rituais.

A data também marca o Dia Internacional da Síndrome de Down. A celebração faz alusão à trissomia do cromossomo 21, característica genética da condição. O foco da data é a inclusão escolar e profissional, combatendo estigmas de incapacidade intelectual. Paralelamente, comemora-se o Dia Mundial da Poesia, instituído pela Unesco em 1999 para valorizar a diversidade linguística e a tradição oral.

Autoridades e especialistas apontam que o reconhecimento legal das matrizes africanas auxilia na formulação de políticas públicas. “O racismo religioso volta-se contra territórios sagrados e culturas”, afirma o professor Leonardo Ozima. O babalorixá Sidnei Nogueira ressalta que o exercício da fé não deve ser um marcador de exclusão social ou medo.

O impacto dessas celebrações conjuntas reflete o esforço por uma sociedade pluralista. A consolidação do 21 de março como marco das tradições africanas fortalece a proteção jurídica de comunidades tradicionais. No campo político, a data estimula o debate sobre a laicidade do Estado e a eficácia de punições para crimes de ódio religioso e discriminação racial.

O Metropolitano

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