Doação de hospital em Divinópolis vira palanque de Zema
Assinatura em ato eleitoreiro exclui autora oposicionista Lohanna e exibe oportunismo após oito anos de descumprimento de promessas

Luciano Meira
O governador Romeu Zema (Novo) sancionou nesta segunda-feira (12) a lei que doa o imóvel do Hospital Regional de Divinópolis à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), em cerimônia privada que priorizou o deputado Eduardo Azevedo (PL), da base governista, e deliberadamente ignorou a deputada Lohanna França (PV), autora do projeto aprovado por unanimidade na ALMG. Promessa de campanha de Zema não cumprida em oito anos de gestão, a obra parada só avança graças à intervenção federal, com a União assumindo a conclusão e operação via Ebserh, expondo o ato como jogada de marketing para encobrir incompetência estadual.

Deputada comenta sanção da lei
“A sanção do nosso projeto que autoriza a doação do Hospital Regional de Divinópolis para a Universidade Federal de São João del-Rei representa uma vitória histórica para a saúde do Centro-Oeste de Minas. Essa foi a solução que nosso mandato encontrou diante da incapacidade do Governo do Estado de colocar o hospital para funcionar.
Com a gestão da universidade, o hospital vai atuar como hospital universitário, recebendo recursos do SUS, do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, além do trabalho de professores, técnicos e servidores da UFSJ, especialmente do campus de Divinópolis. O impacto é direto na vida das pessoas, ampliando o acesso à saúde pública e reduzindo filas por atendimento e cirurgias. Tenho orgulho de ser autora dessa lei, que contribui diretamente para melhorar a vida de mais de 2 milhões de mineiros da região.”
Histórico de Promessas não Cumpridas
Anunciado em 2009 com previsão inicial para 2012, o Hospital Regional de Divinópolis acumulou atrasos sucessivos, com obras retomadas só em 2023 após paralisação de sete anos. No governo Zema, iniciado em 2019, o imóvel quase foi usado para quitar dívidas estaduais no Propag, contrariando acordo de federalização de fevereiro de 2025 entre estado, UFSJ e Ebserh. Pressões políticas em Brasília, com ministros como Camilo Santana e Alexandre Silveira, forçaram a retirada do hospital do Propag, liberando o caminho para o projeto de Lohanna, apresentado em outubro de 2025 e aprovado em dezembro.
Polêmica na Cerimônia e Ausências Estratégicas
Realizada no último dia do prazo legal, a sanção ocorreu em reunião fechada com Eduardo Azevedo, irmão do prefeito Gleidson Azevedo (Novo) e aliado fiel, enquanto Lohanna, oposicionista na ALMG, e representantes da UFSJ foram boicotados apesar da presença da imprensa. O governo mineiro vende o ato como “institucional”, mas críticos veem manobra pré-eleitoral para maquiar a ineficiência, ignorando os R$ 40 milhões do acordo pós-Brumadinho e a fala do ministro Padilha: “Se o estado não faz funcionar, a União fará”. Tal exclusão revela desdém por méritos alheios e priorização partidária.
Impacto na Região e Perspectivas Futuras
Com 202 leitos e serviços de alta complexidade para 54 municípios e mais de um milhão de habitantes, o hospital promete operação em 2026 sob gestão federal. Lohanna aplaudiu a unanimidade na ALMG, mas condenou a demora e o desrespeito; Zema exalta a estrutura sem admitir pressões externas. O episódio intensifica o debate sobre saúde pública refém de politicagem em ano eleitoral.
