Dono de bar incendiado na Suíça é preso após interrogatório de 6h30
Proprietário do Le Constellation, em Crans-Montana, detido por risco de fuga em meio a investigação sobre tragédia que matou 40 pessoas

Luciano Meira
O proprietário do bar Le Constellation, Jacques Moretti, foi preso nesta sexta-feira (9) em Sion, após seis horas e meia de interrogatório no Ministério Público do cantão de Valais, por suspeita de risco de fuga na investigação do incêndio que deixou 40 mortos e 116 feridos na virada do ano em Crans-Montana. A detenção ocorre em dia de luto nacional na Suíça, marcado por cerimônias com líderes europeus, enquanto a esposa de Moretti, Jessica, coproprietária do estabelecimento, foi liberada e pediu desculpas públicas às famílias das vítimas. O casal francês enfrenta acusações de homicídio por negligência, com indícios de falhas graves de segurança no local.
A tragédia
O incêndio eclodiu na noite de 31 de dezembro de 2025 no bar Le Constellation, popular estação de esqui nos Alpes suíços, quando fagulhas de velas pirotécnicas usadas em garrafas de champanhe atingiram o revestimento de espuma no teto, propagando as chamas rapidamente em meio a uma festa lotada de jovens e adolescentes. O estabelecimento não recebia inspeções de segurança das autoridades de Crans-Montana desde 2020, o que levanta questionamentos sobre o cumprimento de normas contra incêndios. Mais da metade das vítimas fatais eram menores de idade, de 19 nacionalidades diferentes, com feridos ainda internados em hospitais da Suíça, França, Itália, Alemanha e Bélgica.
Detalhes da prisão e investigação
Jacques Moretti, de 49 anos e com histórico criminal incluindo condenação por proxenetismo (intermediação ou agenciamento da prostituição alheia com fim lucrativo) em 2008, foi levado em viatura policial após a audiência, atendendo a pedido da procuradora Catherine Seppey devido a declarações, histórico e conexões no exterior que indicavam fuga iminente. Jessica Moretti saiu em lágrimas, acompanhada de advogados, e declarou: “Meus pensamentos estão com as vítimas e aqueles que lutam pela vida; peço desculpas por essa tragédia inimaginável”. Uma audiência de custódia deve ocorrer em até 48 horas para decidir sobre prisão preventiva, tornozeleira ou fiança, enquanto o Ministério Público avalia indiciamento por negligência.
Reações e homenagens
A Suíça decretou luto nacional na sexta-feira, com sinos de igrejas tocando e minuto de silêncio em Martigny, a 50 km de Crans-Montana, isolada por nevasca; o presidente Guy Parmelin chamou o país de “uma única família enlutada” e cobrou punição às falhas. Líderes como o italiano Sergio Mattarella, o francês Emmanuel Macron e a premiê Giorgia Meloni participaram das cerimônias, com Meloni classificando o caso como resultado de “negligência e busca por dinheiro fácil”. Familiares das vítimas e advogados pressionavam pela prisão há uma semana, criticando a lentidão inicial das autoridades locais.
