Eduardo Cunha confirma tentativa de sobrevida política em Minas Gerais
Personagem central do impeachment de 2016 e ex-presidiário da Lava Jato, político busca novo domicílio para evitar disputa direta com a própria filha no Rio de Janeiro

Luciano Meira
O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, anunciou que pretende disputar uma vaga no Legislativo federal em 2026 pelo estado de Minas Gerais. A movimentação configura uma nova tentativa de retorno ao poder por parte do político que, após comandar a Câmara com mão de ferro, viu sua carreira ser interrompida por uma sucessão de escândalos de corrupção e uma cassação histórica por quebra de decoro parlamentar.
A escolha de Minas Gerais não é ideológica, mas estratégica e familiar. Cunha busca um novo reduto para não fragmentar os votos de sua filha, a deputada federal Dani Cunha (União-RJ), que herdou seu espólio político no Rio de Janeiro. Além disso, o político tenta apagar a mancha do último pleito: em 2022, ao tentar se candidatar por São Paulo, obteve apenas 5.044 votos — uma votação insignificante para quem até já presidiu a República interinamente.
Trajetória marcada por condenações e manobras
Eduardo Cunha foi o artífice do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016, mas sua queda ocorreu logo em seguida. Ele foi acusado de mentir aos pares sobre a existência de contas secretas na Suíça, o que levou à perda de seu mandato por 450 votos a 10. No âmbito da Operação Lava Jato, Cunha acumulou condenações que somavam décadas de prisão por crimes como corrupção passiva e lavagem de dinheiro, chegando a cumprir pena em regime fechado e domiciliar.
Atualmente, Cunha beneficia-se de uma situação jurídica instável. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou condenações proferidas pela Justiça Federal de Curitiba, sob o argumento de que os casos deveriam ter tramitado na Justiça Eleitoral. Embora as decisões tenham limpado parte de sua ficha, as investigações sobre o recebimento de propinas em contratos da Petrobras e esquemas na Caixa Econômica Federal permanecem na memória do eleitorado como símbolos de uma era de excessos éticos.
Ao mirar o segundo maior colégio eleitoral do país, Cunha aposta na desinformação ou no esquecimento do eleitor mineiro para reconquistar o foro privilegiado. Resta saber se Minas Gerais aceitará o papel de refúgio para um político cuja trajetória é indissociável das páginas policiais e da maior crise institucional da história recente do Brasil.
