Em busca de um milagre: PSD contrata novo marqueteiro para pré-campanha de Simões
Paulo Vasconcelos assume comunicação do vice-governador, mas enfrenta desafio com baixo desempenho nas pesquisas e rejeição ao nome ligado a Zema

Luciano Meira
O PSD mineiro contratou o marqueteiro político Paulo Vasconcelos para reforçar a pré-campanha do vice-governador Mateus Simões (PSD) ao governo estadual em 2026, acordo fechado na terça-feira (23) em iniciativa conjunta do partido e do próprio Simões. Vasconcelos, que atuou na reeleição do prefeito Fuad Noman (PSD) em Belo Horizonte em 2024 e na vitória de Cláudio Castro (PL) no Rio em 2022, pretende ampliar a exposição pública de Simões, que assume interinamente o Palácio da Liberdade a partir de 22 de março, durante licença de Romeu Zema (Novo) para pré-campanha presidencial. Até então, a comunicação estava a cargo de Renato Pereira, mas o novo contratado também assessora o governador Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, eventual adversário de Zema na corrida presidencial, que é o principal fiador de Simões, sinalizando que um dos dois — Caiado ou Zema — talvez não esteja verdadeiramente na corrida ao Planalto.
Baixo desempenho nas pesquisas eleitorais
Pesquisas recentes indicam desempenho modesto de Mateus Simões na corrida pelo Palácio da Liberdade, com intenções de voto entre 9% e 16%, enquanto nomes como o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) lideram com até 38% em cenários espontâneos. Levantamento do Instituto Ver, de agosto de 2025, apontou rejeição de 64,6% ao vice-governador, o maior entre pré-candidatos testados, com apenas 9,3% afirmando votar nele com certeza. O alto índice de desconhecimento (57%) limita sua viabilidade, apesar do apoio inicial de Zema e tentativas de atrair PL, PP e União Brasil para uma ampla coalizão de centro-direita.
Desafios com aprovação do governo Zema
Embora o governo Romeu Zema mantenha uma taxa de aprovação estável em torno de 62% a 64%, conforme pesquisas Quaest e Paraná Pesquisas de 2025, a associação com Simões pode não transferir votos efetivamente, dado o baixo recall do vice. Desaprovação em 30% a 32% reflete críticas a temas como gestão fiscal, privatizações, segurança pública, educação, reajuste de servidores e outras criando terreno fértil para opositores. Vasconcelos terá de elevar a visibilidade de Simões durante sua permanência temporária na cadeira de governador, em um tabuleiro indefinido que pode influenciar até a eleição presidencial.
