Em meio à privatização, Copasa acelera leilões de veículos

Estatal mineira vendeu 535 itens em 4 meses de 2025, superando total de 5 anos anteriores

Arquivo RMC
Luciano Meira

Em quatro meses, de setembro a dezembro de 2025, a Copasa realizou leilões de 535 veículos, superando o total de 504 itens alienados em nove pregões dos cinco anos anteriores, entre 2019 e 2023. O ritmo acelerado coincide com a aprovação, em 17 de dezembro, da lei que autoriza a privatização da companhia pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). A estatal atribui a venda à renovação da frota própria por veículos locados, processo iniciado em 2015 e intensificado no fim do ano passado
Detalhes dos leilões recentes

O primeiro edital de 2025 saiu em 22 de setembro, com 75 veículos e lance inicial médio de R$ 6,5 mil; seguiu-se um pregão em 24 de outubro com 155 itens (média de R$ 10,4 mil), novembro com 152 e dezembro com 153, totalizando 535 automóveis, motos, triciclos e caminhões, muitos com até 50 anos de fabricação. Nos nove leilões prévios, desde novembro de 2019, o maior lote foi de 80 veículos, evidenciando o volume inédito recente. Os pregões ocorreram enquanto deputados debatiam a desestatização, com leilão previsto para abril de 2026.

Estratégia de renovação da frota

Desde 2015, a Copasa substitui a frota própria por locados, priorizando veículos leves e estendendo para motos, triciclos e caminhões a partir de 2024, visando economia, modernidade e segurança. A intensificação no último trimestre de 2025 deveu-se ao maior recebimento de locados e desmobilização gradual, com previsão de 99% de frota terceirizada até meados de 2026. Os recursos dos leilões financiam o projeto, que já trouxe veículos mais econômicos e seguros para operações em campo.

Contexto da privatização

A venda da Copasa, Gasmig e Cemig integra o Propag, que permite a Minas Gerais abater 20% da dívida com a União (refinanciada em 30 anos com IPCA + 4%) via privatizações. O Estado detém 50,3% das ações e espera atrair concorrentes no leilão, mantendo possivelmente “golden share” para decisões estratégicas. Críticos veem a alienação de bens como preparação para a transição à iniciativa privada, mas a companhia reforça que os leilões garantem continuidade dos serviços.

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