Esquerda volta ao poder em Portugal com vitória de Antonio José Seguro na Presidência
Socialista derrota extremista André Ventura no segundo turno e marca retorno da esquerda ao Palácio de Belém após 20 anos

Luciano Meira
Antonio José Seguro, do Partido Socialista (PS), foi eleito presidente de Portugal neste domingo (8), com 66,82% dos votos válidos no segundo turno contra 33,18% do extremista de direita André Ventura, do Chega, conforme resultados oficiais com 99% das urnas apuradas. A vitória, confirmada por pesquisas de boca de urna e apuração rápida, representa o retorno da esquerda ao Palácio de Belém após duas décadas, com Seguro obtendo o maior número absoluto de votos da história das eleições presidenciais portuguesas, cerca de 3,48 milhões.
Resultados do segundo turno
No confronto final, disputado após primeiro turno sem maioria clara em janeiro, Seguro ampliou sua liderança inicial de 31,12% para uma vitória expressiva, atraindo apoios de centro-esquerda e centro-direita contra o avanço populista. Ventura, que havia ficado em segundo com 23,52% na rodada inicial, admitiu a derrota rapidamente, desejando um “excelente mandato” ao rival, mas celebrou o fortalecimento histórico do Chega como “vencedor da direita”. A abstenção ficou em torno de 50%, com votos nulos e brancos somando cerca de 5%, em eleição marcada por polarização entre moderação e radicalismo.
Primeiro turno
A primeira rodada, em 18 de janeiro, viu Seguro à frente com 1,75 milhão de votos (31,12%), seguido por Ventura (23,52%), João Cotrim de Figueiredo (16,01%, centro-direita) e Henrique Gouveia e Melo (12,32%). Outros candidatos, como Luís Marques Mendes (11,30%) e Catarina Martins (2,06%), ficaram para trás, configurando o primeiro segundo turno em 40 anos e refletindo fragmentação ideológica no eleitorado português. A disputa mobilizou debates sobre imigração, economia e estabilidade, com Ventura apostando em discurso anti-establishment e Seguro em moderação democrática.
Perfil do novo presidente
Antonio José Seguro, 63, ex-secretário-geral do PS e professor, posicionou-se como moderado e defensor da democracia, prometendo um mandato de convergência e cooperação com o governo minoritário de centro-direita. Em discurso emocionado após a vitória, declarou que “os verdadeiros vencedores são os portugueses e a democracia”, assumindo “enorme responsabilidade cívica” e exaltando o povo português como “o melhor do mundo”. Sua eleição freia o ímpeto da extrema-direita e garante fiscalização equilibrada sobre o Parlamento, podendo influenciar dissoluções futuras.
Reações e implicações políticas
Ventura e aliados do Chega, fundado em 2019, viram na campanha o melhor resultado histórico apesar da derrota, sinalizando crescimento da direita nacionalista em Portugal. Apoios a Seguro de figuras tradicionais de esquerda e direita reforçaram sua imagem unificadora, em meio a preocupações com populismo e imigração na Europa. Analistas preveem mandato de mediação para modernizar o país, com foco em justiça social e liberdades, alterando o equilíbrio político após os dois mandatos do conservador Marcelo Rebelo de Sousa.
