Estudo da Unicamp aponta que fim da escala 6×1 pode gerar 4,5 milhões de empregos

Pesquisa do Cesit simula redução de jornada para 36 horas semanais e prevê alta de produtividade em 4%, beneficiando comércio e serviços

Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

Um estudo elaborado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) conclui que o fim da escala 6×1, com redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, pode criar até 4,5 milhões de novos postos de trabalho no Brasil, além de elevar a produtividade em cerca de 4%. O levantamento, integrado ao “Dossiê 6×1” produzido pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), do Instituto de Economia (IE) da Unicamp, rebate argumentos de que a medida provocaria queda no PIB ou desemprego, demonstrando que o país está preparado para a mudança. A pesquisa baseia-se em dados da PNAD Contínua do IBGE, destacando que 76,3% dos ocupados trabalham mais de 40 horas semanais, com 21 milhões excedendo as 44 horas legais.A escala 6×1 e o dossiê

A escala 6×1, comum em setores como comércio e serviços, impõe seis dias de trabalho seguidos e apenas um de descanso, afetando cerca de 76 milhões de trabalhadores, segundo o estudo. O “Dossiê 6×1”, com 37 artigos de 63 autores — incluindo professores, auditores fiscais e sindicalistas —, é publicado semanalmente em 19 sites e analisa impactos econômicos, sociais e de saúde. Economista Marilane Teixeira, coautora do trabalho principal, questiona a narrativa de que o brasileiro trabalha pouco, apontando informalidade alta, horas extras e subocupação de 4,5 milhões que desejam mais vagas.

Projeções econômicas e produtivas

Simulações do Cesit indicam que a redistribuição de horários, como na escala 4×3 (quatro dias de trabalho e três de folga), geraria empregos para cobrir folgas, sem paralisar a economia, especialmente em serviços. A produtividade subiria com menos fadiga, repetindo padrões históricos como a redução para 44 horas na Constituição de 1988, em contexto pior que o atual de pleno emprego e tecnologia avançada . O estudo contesta modelos simplistas do mercado, prevendo dinamização do consumo via novos salários e tempo livre.

Debate legislativo e sociais

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2025, que limita a jornada a 36 horas e proíbe a 6×1, tramita no Congresso e pode ser votada no primeiro semestre de 2026, beneficiando 45 milhões mesmo em modelo 5×2 de 40 horas. Pesquisadores alertam para meio milhão de afastamentos por doenças psicossociais em 2024, agravadas pela exaustão, e defendem a medida como direito ao lazer sem desonerações empresariais. Teixeira enfatiza que avanços como o 13º salário superaram resistências semelhantes, fortalecendo a viabilidade atual.

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