EUA deportam terceira fugitiva dos atos de 8 de janeiro; mulher é presa no Brasil
Raquel de Souza Lopes, condenada a 17 anos de prisão por tentativa de golpe e outros crimes, chega deportada de voo no aeroporto de Confins (MG) e é detida pela PF

Luciano Meira
Raquel de Souza Lopes, cozinheira de 54 anos de Joinville (SC) condenada a 17 anos de prisão por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, foi deportada dos Estados Unidos e presa pela Polícia Federal ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte, nesta sexta-feira (6). Ela é a terceira foragida dos ataques às sedes dos Três Poderes a ser devolvida ao Brasil após tentativa fracassada de permanecer em território americano.
Os atos de 8 de janeiro de 2023 marcaram a invasão e depredação do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF) por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, inconformados com a derrota nas urnas. Centenas de pessoas foram condenadas pelo STF por crimes como tentativa de golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado ao patrimônio público e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Raquel foi sentenciada em 2023 pelos mesmos delitos e cumpria prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica em março de 2024, quando rompeu o dispositivo e fugiu para a Argentina junto a outros bolsonaristas foragidos.
Com mandado de prisão expedido pelo STF, ela deixou a Argentina em novembro de 2024, diante do cerco às fugitivas no país vizinho sob o governo de Javier Milei, e seguiu rota via Peru, Colômbia e México. Em 12 de janeiro de 2025, cruzou ilegalmente a fronteira com o Texas e foi detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) por imigração irregular. A defesa recorreu para evitar a deportação, mas os pedidos foram negados em julho de 2025 e em 14 de janeiro de 2026, culminando na inclusão dela em voo com outros imigrantes sul-americanos rumo ao Brasil.
Agora, Raquel será transferida para presídio estadual em Minas Gerais e, possivelmente, recolhida a unidade federal ou sob custódia do STF, conforme protocolo da PF em casos semelhantes. Outras duas condenadas pelos atos de 8/1 – Rosana Maciel Gomes e Cristiane da Silva – já haviam sido deportadas dos EUA e presas no Brasil em meses anteriores, após rotas semelhantes pela América Latina. Michely Paiva Alves, ré no processo, ainda resiste à expulsão americana com liminar provisória.
