Ex-ministro Nilmário Miranda deixa governo para articular apoio do PT a Pacheco e Silveira em Minas Gerais
Saída de Miranda sinaliza esforço do PT para consolidar alianças estratégicas na disputa eleitoral de 2026 no estado

Luciano Meira
O ex-ministro Nilmário Miranda anunciou sua saída do governo federal para assumir o papel de articulador político do PT em Minas Gerais rumo às eleições de 2026. A decisão, confirmada nesta semana, foi tomada com o objetivo de fortalecer o apoio do Partido dos Trabalhadores ao senador Rodrigo Pacheco (PSD) e ao ministro Alexandre Silveira (PSD) nas disputas pelo governo do estado e pelo Senado.
Miranda, que exerceu cargos de destaque na gestão petista, passa a dedicar-se integralmente à construção de uma frente ampla que envolva centro e esquerda, buscando a convergência entre PT, PSD e outras forças políticas. A estratégia do ex-ministro é evitar conflitos internos e fortalecer a união em uma das principais praças eleitorais do país.
Segundo fontes próximas a Miranda, a articulação visa sobretudo garantir a viabilidade eleitoral de Pacheco, atual presidente do Senado, e evitar que o PT fique isolado na corrida eleitoral mineira. Essa movimentação política ocorre num contexto delicado para o partido, que busca espaço significativo apesar do crescimento de candidaturas adversárias no estado.O esforço de Miranda também inclui o apoio ao ministro Alexandre Silveira, importante aliado do PSD, para o Senado, consolidando assim uma chapa competitiva e fortalecida contra rivais da direita e de outras correntes políticas.
O movimento tem recebido atenção da cúpula petista nacional que considera o acordo como um passo decisivo para as eleições estaduais e federais no ano que vem.
Analistas políticos interpretam a saída de Miranda como reflexo da necessidade de o PT ampliar interlocuções e buscar alianças pragmáticas, deixando de lado disputas internas desgastantes para priorizar a conquista do poder em Minas Gerais, um estado influente no cenário político nacional.
Apesar das expectativas de fortalecimento da coalizão, o cenário eleitoral em Minas permanece competitivo e sujeito a mudanças, com o PT tendo que calcular cuidadosamente suas decisões para assegurar representação e influência no próximo mandato.
O ex-ministro deve permanecer ativo na base petista, sendo figura-chave para as negociações locais, enquanto o governo federal busca reorganizar sua equipe para suprir a vaga deixada por ele.
Essa articulação em Minas reflete a dinâmica mais ampla do PT no processo eleitoral nacional de 2026, quando o partido busca conciliar identidade política e pragmatismo eleitoral para enfrentar desafios internos e externos.