Siga O Metropolitano nas Redes Sociais

Siga no Facebook       Siga no Instagram       Siga no WhatsApp

Faculdade da USP rompe convênio com Universidade de Haifa em protesto contra ações militares em Gaza

Decisão da FFLCH é resposta a denúncias de graves violações de direitos humanos cometidas por Israel contra a população palestina; movimento estudantil celebra o rompimento como conquista ética

Divulgação USP
Luciano Meira

A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) decidiu, em votação unânime nesta quinta-feira (23), romper o convênio que mantinha com a Universidade de Haifa, em Israel. A medida, votada por 46 dos 54 membros da Congregação, antecipou o fim do acordo que estava vigente até maio de 2026. A decisão reflete uma crítica contundente às ofensivas militares do governo israelense na Faixa de Gaza e à política do governo Netanyahu, especialmente diante do conflito iniciado em outubro de 2023, quando o grupo Hamas atacou civis israelenses, desencadeando uma série de bombardeios que causaram milhares de vítimas palestinas e destruição em larga escala.​

Contexto e motivações do rompimento

O rompimento do convênio ocorre em meio a denúncias internacionais de graves violações de direitos humanos cometidas pelo Estado de Israel contra a população palestina, incluindo mortes de civis, deslocamentos forçados e destruição de infraestrutura básica na região, situação que suscitou ampla condenação inclusive da Organização das Nações Unidas (ONU) e de diversos países, entre eles o Brasil. Representantes estudantis da FFLCH vêm promovendo mobilizações, ocupações e protestos contra a cooperação acadêmica com instituições israelenses, considerando que o convênio poderia legitimar ou financiar indiretamente as ações militares e políticas de ocupação.​João Conceição, representante discente da Comissão de Cooperação Internacional da FFLCH, afirmou que a universidade pública brasileira não pode ser cúmplice de quem usa o conhecimento para fins bélicos, considerando a decisão “uma vitória da ética sobre a omissão”. Ele defendeu que a USP deve estender essa postura a outras unidades e instituições brasileiras que mantêm acordos com entidades israelenses envolvidas no conflito e nas políticas de apartheid.​

Repercussões e adesão de outras universidades

O posicionamento da FFLCH-USP faz parte de um movimento crescente dentro das universidades brasileiras. Outras instituições de destaque já romperam ou revisaram acordos com universidades israelenses em solidariedade à população palestina e em protesto às operações militares em Gaza, entre elas a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal do Ceará (UFC). Essas iniciativas representam a contestação ética e política da comunidade acadêmica diante do conflito no Oriente Médio.​

Histórico e futuro do convênio

O convênio entre a USP e a Universidade de Haifa foi firmado em 2018 e contemplava intercâmbio de estudantes, docentes e pesquisadores, além do desenvolvimento conjunto de projetos acadêmicos. A decisão de rompimento será encaminhada ao Conselho Universitário da USP, que deve deliberar sobre a extensão do fim das parcerias com instituições israelenses, especialmente aquelas vinculadas a atividades militares e violações de direitos humanos.

Esse rompimento simboliza um marco histórico na postura da USP sobre questões internacionais de direitos humanos e demonstra a ampliação do debate ético na academia brasileira, alinhado a movimentos estudantis e às consequências do conflito que permanece no foco da atenção global.

Siga O Metropolitano nas Redes Sociais

Siga no Facebook       Siga no Instagram       Siga no WhatsApp

O Metropolitano

Jornalismo profissional e de qualidade. Seu portal de notícias da Região Metropolitana de Belo Horizonte, de Minas Gerais, do Brasil e do Mundo. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. Lei nº 9610/98
Botão Voltar ao topo