Feijão tropeiro mineiro entra em ranking internacional e leva cozinha de Minas ao mapa global

Prato típico ganha 5º lugar em lista da TasteAtlas e reforça vocação gastronômica de Minas Gerais, que também entrou em rota de destinos culinários para 2026

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Luciano Meira

O feijão tropeiro, um dos símbolos da culinária de Minas Gerais, passou a integrar um seleto grupo de pratos reconhecidos mundialmente ao aparecer em 5º lugar no ranking de melhores “pratos vegetais” do mundo elaborado pela plataforma gastronômica internacional TasteAtlas, e ajudou a projetar a cozinha mineira em um cenário dominado por receitas tradicionais da Itália, Portugal e Índia. A classificação reforça o movimento recente de valorização da gastronomia mineira, que já havia sido citada pela revista Condé Nast Traveler como um dos destinos gastronômicos a visitar em 2026, consolidando o estado como referência global em comida de raiz.

Reconhecimento em ranking global

No TasteAtlas Awards 25/26, o feijão tropeiro alcançou a 5ª posição entre os melhores pratos da categoria “pratos vegetais”, com nota 4,29 em um universo que reúne quase 19 mil alimentos cadastrados e mais de meio milhão de avaliações de usuários e especialistas. O prato mineiro aparece lado a lado com preparos consagrados como a parmigiana alla napoletana, da Itália, a sopa de pedra portuguesa e o malai kofta indiano, o que amplia a visibilidade da culinária brasileira em um ambiente fortemente marcado por tradições europeias e asiáticas.Segundo a descrição da própria TasteAtlas, o feijão tropeiro é apresentado como um prato “tradicional do estado brasileiro de Minas Gerais”, associado historicamente aos tropeiros que cruzavam o interior do país transportando mercadorias, conhecimentos e hábitos alimentares. A classificação na categoria de pratos vegetais se deve à base composta por feijão, farinha de mandioca, alho, cebola, couve, cheiro-verde e outros vegetais, ainda que muitas versões levem carne seca, linguiça, toucinho e ovos, evidenciando a versatilidade da receita.

Cozinha mineira em evidência

O destaque do feijão tropeiro se soma a um contexto mais amplo de reconhecimento da culinária mineira, que vem ganhando espaço em publicações e listas internacionais especializadas em gastronomia e turismo. No fim de 2025, Minas Gerais foi incluída pela revista Condé Nast Traveler como um dos destinos gastronômicos recomendados para 2026, o que ajuda a consolidar uma imagem de estado voltado à boa mesa, à hospitalidade e à preservação de saberes culinários tradicionais.

Autoridades e gestores da área de cultura e turismo em Minas têm visto esse tipo de menção como um ativo estratégico para o estado, ao associar o prato à identidade do povo mineiro e ao fortalecimento da economia criativa. A avaliação é de que a visibilidade em rankings globais favorece não apenas restaurantes e chefs, mas também produtores rurais, cozinheiras tradicionais, feiras, festivais gastronômicos e destinos do interior que se apoiam na comida como elemento central de atração turística.

História e ingredientes de um símbolo

Originário do cotidiano dos tropeiros, que precisavam de alimentos resistentes, fartos e fáceis de transportar, o feijão tropeiro nasceu como uma mistura simples de feijão, carne seca e toucinho, preparada em fogões improvisados ao longo dos caminhos que cruzavam Minas e outras regiões do país. Com o tempo, a receita passou a receber influências de diferentes territórios e famílias, incorporando ovos, torresmo, couve, farinha de mandioca mais fina ou mais grossa, além de temperos frescos, o que deu ao prato o caráter de síntese da cozinha mineira: simples, farta e marcada pela ideia de partilha.

Hoje, o feijão tropeiro apresenta diversas variações regionais dentro de Minas Gerais, com versões mais secas ou mais úmidas, com mais ou menos carnes e acompanhamentos, mas mantendo uma base facilmente reconhecível em bares, restaurantes, botecos de estádio e almoços de domingo. Em Belo Horizonte, por exemplo, o prato é presença constante em cardápios de casas especializadas em comida mineira e foi alçado, em diferentes listas e reportagens locais, à condição de “obrigatório” para quem visita a capital em busca de experiências gastronômicas típicas.

Impacto no turismo e na economia criativa

O posicionamento do feijão tropeiro no ranking da TasteAtlas é visto por especialistas como oportunidade para reposicionar Minas Gerais na rota do turismo gastronômico internacional, aproximando o estado de circuitos que hoje incluem destinos como Itália, Portugal e Índia. A aposta de gestores públicos e privados é que a visibilidade global se traduza em aumento do fluxo de visitantes, maior consumo de produtos locais e fortalecimento de cadeias produtivas ligadas à alimentação, da agricultura familiar à restauração.

Programas de promoção da gastronomia mineira em feiras, festivais, eventos internacionais e ações de divulgação integrada entre cultura e turismo vêm sendo apontados como ferramentas para aproveitar esse momento, associando o feijão tropeiro a outros ícones como o pão de queijo, o queijo minas artesanal e a comida de fogão a lenha. A leitura é que, mais do que um prêmio isolado, o reconhecimento do prato mineiro em um ranking de alcance global reforça a ideia de um patrimônio imaterial em constante construção, no qual receitas transmitidas de geração em geração ganham novo fôlego ao serem colocadas lado a lado com alguns dos pratos mais celebrados do mundo.

O Metropolitano

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