Fiocruz concede Doutor Honoris Causa a Milton Nascimento
Homenagem nesta terça (16), em Belo Horizonte, reconhece Bituca como símbolo de resistência social na MPB após seis décadas de carreira

Luciano Meira
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entrega nesta terça-feira (16), às 16h, o título de Doutor Honoris Causa ao cantor e compositor Milton Nascimento, em cerimônia no auditório da Fiocruz Minas, em Belo Horizonte. Aprovada por unanimidade pelo Conselho Deliberativo da instituição, a distinção homenageia a obra de Bituca como instrumento de resistência, crítica social e afirmação de identidades, inclusive durante a Ditadura Militar. O artista de 83 anos, diagnosticado com demência por corpos de Lewy, será representado pelo maestro de sua banda, Wilson Lopes.
Trajetória de superação e sucesso
Nascido em 26 de outubro de 1942 no Rio de Janeiro, Milton perdeu a mãe aos dois anos e foi adotado pela família de uma professora de música em Três Pontas (MG), onde cresceu imerso na arte. Ainda jovem, formou grupos como W’s Boys e Evolussamba, migrando para Belo Horizonte e integrando o lendário Clube da Esquina com Lô Borges, Fernando Brant e Beto Guedes. Seu primeiro LP, “Travessia” (1967), ganhou destaque internacional, seguido de álbuns icônicos como “Clube da Esquina” (1972), que consolidou Minas Gerais no mapa da MPB.
Legado na música brasileira
Com quase 50 discos gravados, Milton é autor de hinos como “Coração de Estudante” e “Maria, Maria”, marcados por parcerias com Elis Regina, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Sua voz única e engajamento social o tornaram referência global da MPB, rendendo títulos anteriores de Doutor Honoris Causa da UFMG, Unicamp e Berklee College of Music. Para o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, o legado de Bituca alinha-se à missão da instituição ao promover conscientização e transformação social por meio da música.
