Flotilha humanitária parte para Gaza com participação de brasileiros

Entre ativistas de 44 países, brasileiros integram missão que desafia bloqueio israelense para levar ajuda à Faixa de Gaza

Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

Cerca de 13 brasileiros estão entre os ativistas que partiram, neste domingo (31), de Barcelona rumo à Faixa de Gaza, integrando a maior flotilha humanitária já organizada em tentativa de furar o bloqueio marítimo imposto por Israel. A missão objetiva criar um corredor para entrega de alimentos, água e medicamentos, diante da crise humanitária enfrentada por 2,2 milhões de palestinos após mais de 21 meses de conflito.

Quem são os brasileiros na flotilha

A delegação do Brasil, uma das mais expressivas da missão batizada de Flotilha Global Sumud, é formada por ativistas com trajetória em movimentos sociais, sindicatos, partidos políticos, ambientalismo e direitos humanos. Entre os nomes confirmados estão:

Thiago Ávila, organizador internacional da missão, já veterano em expedições no Mediterrâneo.

Bruno Gilga Rocha, sindicalista da USP e porta-voz oficial da delegação brasileira.

João Aguiar, ativista do Movimento Global para Gaza e do Núcleo Palestina do PT de São Paulo.

Mohamad El Kadri, médico e coordenador do Fórum Latino Palestino.

Mariana Conti, vereadora em Campinas (PSOL/SP).

Gabrielle Tolotti, presidenta do PSOL no Rio Grande do Sul.

Ariadne Telles, militante da luta pela terra na Amazônia.

Lisiane Proença, agitadora cultural.

Carina Faggiani, professora da Unifesp.

Magno Carvalho Costa, militante do Sindicato dos Trabalhadores da USP.

Victor Nascimento Peixoto (Mansur Peixoto), pesquisador da história islâmica.

Além destes, também fazem parte da equipe uma jornalista baseada no Líbano, Giovanna Vial, e o internacionalista Lucas Farias Gusmão, compondo um grupo com diversidade de áreas de atuação e experiências.

O contexto e os objetivos da missão

A atual investida lembra ações anteriores da chamada Freedom Flotilla (Flotilha da Liberdade), que já enfrentaram interceptações e detenções por parte das forças israelenses. Nesta edição, embarcações partiram do Mediterrâneo, com previsão de chegada a Gaza por volta de 13 de setembro. Os participantes afirmam que a ação tem respaldo em medidas da Corte Internacional de Justiça e resoluções da ONU, que proíbem bloqueios ao acesso de ajuda humanitária ao enclave palestino.

Segundo os organizadores, a mobilização é uma resposta à crescente fome, às restrições a insumos básicos e ao que classificam como genocídio da população local. A missão adota princípios de não violência, buscando não só a entrega de donativos, mas também visibilidade internacional e pressão política por soluções duradouras.

Participação internacional e apoio

A flotilha reúne cerca de 300 tripulantes, incluindo nomes conhecidos como a ativista sueca Greta Thunberg e a ex-prefeita catalã Ada Colau. A iniciativa conta com manifestação e apoio internacional, incluindo pressões a governos e a expectativa de acompanhamento por autoridades e instituições voltadas à defesa dos direitos humanos.O grupo brasileiro, como reiteram seus representantes, vê na ação simbólica e prática uma maneira de demonstrar solidariedade efetiva aos palestinos e de denunciar a omissão de governos diante da grave crise em Gaza.

Risco, solidariedade e apelo

Os integrantes da flotilha estão cientes dos riscos — episódios recentes de intercepção resultaram em prisões e deportações. Ainda assim, reforçam que a emergência humanitária impõe a necessidade de novas tentativas. “É por mero acaso que não somos uma dessas famílias que estão em Gaza neste momento”, declarou o ativista Thiago Ávila, que registra diariamente as etapas da missão.

Ao partir, a esperança dos brasileiros é que a pressão internacional acelere o acesso de ajuda humanitária, salvando vidas e alertando para a urgência do fim do bloqueio e do conflito em Gaza.

O Metropolitano

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