Gestores capazes teriam vergonha na cara

Simões ataca greve de professores, mas números da educação mineira gritam incompetência

Vice-governador Mateus Simões (PSD/MG) – Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

O vice-governador Mateus Simões (PSD), também professor, detonou o sindicato dos educadores durante visita ao Vale do Aço nesta quinta (5), exigindo “vergonha na cara” do Sind-UTE pela greve iniciada na quarta (4). Ele defendeu o reajuste de 5,4% concedido pelo estado, afirmando ser o primeiro no Sudeste a anunciá-lo, e questionou a ausência de paralisações em gestões passadas com salários atrasados.A fala agressiva ignora a realidade alarmante da educação em Minas Gerais, com salário inicial proporcional a 40h em torno de R$ 4.800, no patamar do piso nacional e apenas o 8º lugar no ranking estadual – atrás de MS (R$ 12 mil) e SP (R$ 5.565). Indicadores como o Ideb mostram anos finais do fundamental em 4,9 e ensino médio em 4,2 pontos em 2023, abaixo das metas, evidenciando falhas crônicas na qualidade.

Nomeação polêmica na pasta

A gestão nomeou Rossieli Soares como secretário de Educação, figura marcada por escândalos como denúncias de improbidade no governo Temer, contratos milionários questionados no Amazonas e favorecimento a empresas privadas no Pará. Sindicatos veem na escolha um aprofundamento da precarização, com histórico de resistência de educadores e movimentos sociais.

Gestores capazes teriam vergonha desses números medíocres e de abrigar um secretário enrolado em controvérsias antes de hostilizar quem luta por salários dignos, carreira e condições de trabalho.

Deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT/MG) – Foto: Arquivo RMC

Deputada Beatriz Cerqueira responde fala agressiva de vice-governador

Em vídeo postado nas redes, a deputada Beatriz Cerqueira (PT) repudiou o “descontrole absurdo” e “incompetência” de Simões, chamando sua reação de “assustadora” e “violenta”. “Ele acha que o salário pra professora tá ótimo, num tá não, gente, um dos piores do país. A situação da educação tá péssima”, disparou ela, apoiando a categoria e alertando para o empoderamento de violências contra educadores.

O Metropolitano

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