Governo de Minas confirma rompimento em mina da Vale e aplica multa de R$ 1,7 milhão

Estrutura de contenção cedeu em cava de rejeitos em Ouro Preto; lama alcançou área da CSN e cursos d’água, e Vale terá de apresentar plano de recuperação ambiental

Reprodução
Luciano Meira

O governo de Minas Gerais confirmou, nesta quinta-feira (29), o rompimento de uma estrutura da Vale em uma mina na Região Central do Estado, ocorrido na madrugada de domingo (25), durante as fortes chuvas do fim de semana. A falha provocou o escoamento de água com rejeitos, atingiu instalações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), chegou a cursos d’água e levou à aplicação de multa de R$ 1,7 milhão à mineradora por poluição ambiental e outras infrações.

Rompimento na cava de rejeitos

Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), houve erosão na cava 18, área que armazena rejeitos, seguida do rompimento de uma leira de contenção associada à estrutura. O superintendente de fiscalização da Semad, Gustavo Endrigo, informou que o problema foi registrado por volta de 1h40 de domingo, quando a barreira de segurança foi comprometida.Com o rompimento, a água com sedimentos desceu pela linha de drenagem interna da mina até um primeiro sump, reservatório temporário projetado para reter o material. O dispositivo, porém, não suportou todo o volume e parte da mistura avançou além do sistema de contenção previsto pela mineradora.

Lama atinge área da CSN e cursos d’água

O material carreado atingiu pátio, oficinas e o posto de abastecimento da CSN, em área vizinha às estruturas da Vale. Em seguida, a lama alcançou um curso d’água, onde houve deposição de sedimentos e aumento da turbidez, alterando as características da água na região afetada.

Por causa do episódio, a Vale foi autuada em R$ 1,3 milhão pelos órgãos ambientais estaduais. As infrações incluem poluição ambiental, falta de comunicação imediata do evento às autoridades competentes e invasão de área de terceiros, no caso, da CSN.

Impactos na mina de Viga, em Congonhas

Além do rompimento em Ouro Preto, a Semad também identificou problemas na mina de Viga, em Congonhas, outra área de mineração na Região Central de Minas. De acordo com Gustavo Endrigo, houve deslocamento de um talude e escorregamento de outro talude natural dentro do complexo minerário.

No local, 22 sumps foram atingidos e assoreados, o que reduziu a capacidade desses reservatórios de reter água e sedimentos. Os cursos d’água próximos também foram impactados, com carreamento de lama e alteração das condições ambientais ao longo do leito. O episódio gerou uma multa de R$ 400 mil.

Exigência de recuperação ambiental

O governo de Minas informou que a Vale será obrigada a apresentar um plano de recuperação ambiental referente às áreas atingidas pelo rompimento e pela movimentação de taludes. O documento deverá detalhar medidas para remoção de sedimentos, estabilização das estruturas de contenção e monitoramento da qualidade da água nos trechos impactados.

A exigência se soma às autuações já aplicadas e integra o conjunto de ações de resposta imediata do Estado aos incidentes em estruturas vinculadas à atividade minerária. A intenção é garantir reparação dos danos e evitar novos episódios em um cenário de chuvas intensas e recorrentes na região.

Série de incidentes em menos de 24 horas

Os episódios em Ouro Preto e Congonhas ocorreram em um intervalo inferior a 24 horas, durante as chuvas do último fim de semana na Região Central de Minas Gerais. Nesse período, foram registrados vazamentos e falhas em estruturas ligadas à mineração, envolvendo áreas da Vale e da CSN.

A lama e os sedimentos chegaram a diferentes cursos d’água, o que mobilizou prefeituras, órgãos ambientais estaduais e a Defesa Civil para ações emergenciais de monitoramento e contenção. Os casos reacendem o debate sobre a segurança de estruturas de rejeitos no Estado e a necessidade de fiscalização contínua em regiões com forte presença da atividade minerária.

O Metropolitano

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