Governo destina produtos perecíveis barrados nos EUA para merenda escolar e programas sociais

Medida busca minimizar impactos das tarifas americanas e fortalecer abastecimento de alimentação pública no Brasil

O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira – Agência Gov.
Luciano Meira

Em resposta às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o governo federal anunciou uma estratégia para destinar alimentos perecíveis que seriam exportados para o mercado norte-americano ao abastecimento da merenda escolar, hospitais, Forças Armadas, restaurantes universitários e programas de assistência alimentar.

A decisão foi detalhada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, em entrevista à rádio Voz do Brasil na última quarta-feira (20). Ele destacou que a medida visa evitar prejuízos à cadeia produtiva brasileira, sobretudo a pequenos produtores afetados pelas barreiras comerciais.

“O governo vai estimular que estados e municípios possam adquirir esses produtos pelos programas públicos da alimentação escolar”, afirmou o ministro. “Isso representará uma merenda com produtos de melhor qualidade, frescos e locais, além de contribuir para o fortalecimento da agricultura familiar”.

Entre os alimentos que deverão ser redirecionados estão frutas, peixes, carnes, mel, açaí, castanhas e uvas. Produtos como carnes podem ser armazenados e congelados, o que facilita o manejo do estoque. Já outros itens mais perecíveis terão destino prioritário em programas de compras públicas para evitar desperdícios.Com a ampliação dessa política, o governo pretende facilitar o acesso a esses alimentos por meio de regras que autorizam estados e municípios a adquirirem diretamente os itens, sem necessidade de licitação, para abastecer as redes de alimentação pública.

A iniciativa faz parte do Plano Brasil Soberano, lançado pelo governo para mitigar os efeitos das medidas tarifárias americanas que trouxeram dificuldades para exportadores brasileiros. O programa prevê ações específicas para apoiar cooperativas e produtores, especialmente com a formação de estoques que garantem capital de giro e sustentabilidade financeira em momentos de crise.

Segundo Paulo Teixeira, os exportadores aceitarão vender os produtos pelo preço praticado no mercado interno, uma prática necessária diante da inviabilidade do pagamento dos valores em dólar, muito superiores ao valor nacional. A medida protege toda a cadeia produtiva, evitando perdas e mantendo empregos.

O anúncio foi recebido com otimismo por representantes da agricultura familiar e setores ligados à segurança alimentar, que destacam a importância de garantir que alimentos de qualidade cheguem às populações vulneráveis, reforçando a merenda escolar e outros programas essenciais.

Apesar dos desafios impostos pelo chamado “tarifaço” dos EUA, o governo busca proteger mercados e cadeias produtivas, oferecendo uma alternativa interna para escoamento dos produtos e preservação da renda dos produtores.

Além de ajudar na superação dos efeitos das barreiras comerciais, a medida contribui para o fortalecimento do mercado interno e o combate à insegurança alimentar, ampliando o acesso a alimentos frescos e nutritivos em instituições públicas.

Essa estratégia acaba por beneficiar diretamente milhões de estudantes, pacientes de hospitais e membros das Forças Armadas, ao mesmo tempo em que reduz o impacto financeiro e social que recairia sobre os pequenos agricultores caso o escoamento fosse interrompido.

O governo reforça que as ações serão acompanhadas para assegurar a eficácia da medida e o atendimento às demandas do setor produtivo e social no país, buscando equilíbrio entre políticas econômicas e justiça alimentar.

O Metropolitano

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