Governo envia ao Congresso projeto antifacção que cria a figura de Organização Criminosa Qualificada e aumenta penas

Proposta endurece penas para integrantes de facções criminosas e cria mecanismos para combate mais eficaz

Reprodução PMERJ
Luciano Meira

O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei antifacção, que visa endurecer as punições para membros de organizações criminosas, entre elas o Comando Vermelho e milícias que controlam territórios no Rio de Janeiro. Após a letal megaoperação policial que resultou em 121 mortos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o projeto, que está em regime de urgência e traz novidades importantes para o combate ao crime organizado no país.

O projeto cria a figura da “organização criminosa qualificada”, aplicável às quadrilhas que exercem controle violento sobre territórios ou atividades econômicas. As penas para quem integra, promove ou financia tais grupos passam de 3 a 8 anos para 5 a 10 anos. Na modalidade qualificada, a pena varia de 8 a 15 anos e o crime passa a ser hediondo. Para homicídios praticados a mando dessas organizações, a pena pode chegar a até 30 anos de prisão. A proposta também inclui agravantes em casos de uso de armas restritas, morte de agentes de segurança, participação de menores, infiltração no setor público e operações transnacionais.A megaoperação no Rio de Janeiro, que motivou o envio do projeto, expôs a brutalidade das facções criminosas, com relatos de torturas, execuções e controle social por meio de violência extrema nas comunidades. A proposta prevê ainda a criação de um banco nacional de dados das facções, ferramentas para bloquear recursos financeiros das organizações e ações de infiltração policial em sigilo.

A seguir, tabela com crimes e penas previstos no projeto antifacção:

Crime / CondutaPena previstaObservação
Integração em organização criminosa5 a 10 anosAntes: 3 a 8 anos
Organização criminosa qualificada (controle e violência)8 a 15 anosCrime hediondo
Homicídio a mando da facção12 a 30 anosPena máxima prevista no projeto
Uso de arma restrita ou explosivosAgravanteAumenta pena base
Morte ou lesão de agente de segurançaAgravanteDobro da pena base
Participação de menor ou servidor públicoAgravanteDobro da pena base
Infiltração no setor públicoAgravanteDobro da pena base
Atuação transnacional e movimentação financeiraAgravanteDobro da pena base

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que a medida atende a demanda da sociedade e do Congresso por mecanismos mais eficazes. O presidente da Câmara, Hugo Motta, reforçou a urgência da tramitação da proposta. Lula destacou que a diferença política não pode impedir avanços no combate ao crime organizado, que impacta diretamente a vida das famílias brasileiras.

É esperado que o projeto entre em discussão no Legislativo nos próximos dias, com o objetivo de oferecer ao Estado ferramentas mais fortes para enfrentar o domínio das facções em diversas regiões, especialmente no Rio de Janeiro, cenário recente da violência extrema que motivou a iniciativa.

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