Governo Federal lança o SAMUI, o primeiro SAMU Indígena do Brasil

Serviço inovador promete atendimento móvel de urgência, culturalmente adequado, para 25 mil indígenas em Dourados (MS)

Divulgação Agência Gov
Luciano Meira

Em um movimento considerado histórico para a saúde pública brasileira, o governo federal inaugurou, no Dia Internacional dos Povos Indígenas (9 de agosto de 2025), o primeiro Serviço de Atendimento Móvel de Urgência voltado exclusivamente para os povos originários: o SAMUI — SAMU Indígena. Com funcionamento 24h, profissionais bilíngues e estrutura pensada para garantir respeito à cultura e à língua dos atendidos, a iniciativa reconhece a importância do cuidado diferenciado à população indígena, frequentemente vulnerável em situações de emergência.O piloto do SAMU Indígena começou a operar na área do Hospital da Missão Evangélica Kaiowá, dentro da reserva Aldeia Jaguapiru, em Dourados (MS), região que concentra grande número de indígenas das etnias Guarani, Kaiowá e Terena. O serviço promete beneficiar cerca de 25 mil pessoas, reduzindo pela metade o tempo médio de espera em casos de urgência e emergência, comparativamente ao atendimento prestado anteriormente pela unidade convencional do SAMU 192 local.

Atendimento feito por indígenas: confiança, acolhimento e respeito

Parte fundamental do projeto é a formação de uma equipe composta por 14 profissionais, dos quais metade são indígenas e fluentes em guarani, promovendo atendimento bilíngue, humanizado e culturalmente sensível. Esse cuidado é especialmente relevante, pois além de superar barreiras de linguagem, aumenta a confiança dos pacientes e reduz o distanciamento histórico entre os povos originários e a saúde pública brasileira.

Especialistas destacam que o atendimento qualificado, realizado por pessoas da mesma origem étnica, potencializa a eficácia dos procedimentos médicos e psicológicos. O vínculo de confiança favorece o acolhimento, o entendimento dos sintomas e a adesão ao tratamento, além de garantir respeito às práticas culturais próprias dos povos indígenas, como a consulta aos saberes tradicionais e o uso de línguas nativas.

Segundo o Ministério da Saúde, a medida faz parte do compromisso de universalizar o SAMU 192 até o fim de 2026, com investimento continuado para garantir o direito ao atendimento gratuito e culturalmente adequado no Sistema Único de Saúde (SUS). Só para o SAMU Indígena, a pasta anunciou repasse anual de R$341 mil para custeio do serviço móvel, além de investimentos na ampliação da rede nacional.

Questões estruturais e desafios históricos

O Brasil possui mais de 22 mil profissionais de saúde atuando em comunidades indígenas, sendo 52% deles de origem indígena, e dispõe de investimentos contínuos na formação de agentes indígenas de saúde, que atuam como intérpretes, educadores e articuladores de ações preventivas e assistenciais em suas aldeias.

A implementação do SAMUI marca um avanço frente aos desafios de invisibilidade, barreiras culturais e falta de atendimento especializado que historicamente afetaram esses grupos. O projeto reconhece a necessidade de desenvolver políticas de saúde interculturais e de valorizar o protagonismo indígena na assistência, central para assegurar o direito à saúde em conformidade com a Constituição.

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