Governo Zema corta 96% da verba contra chuvas e agrava tragédia em MG

Recursos despencaram de R$ 135 mi para R$ 6 mi em dois anos, enquanto vice Simões, prestes a assumir interinamente, e Zema, rumo à Presidência, ignoram alertas repetidos

Mateus Simões (PSD) e Romeu Zema (Novo) – Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

Os investimentos do governo Romeu Zema (Novo) em prevenção e infraestrutura contra chuvas em Minas Gerais caíram 96% entre 2023 e 2025, passando de R$ 134,8 milhões para míseros R$ 5,8 milhões, segundo dados do Portal da Transparência estadual revelados pelo jornal O Globo. Essa redução drástica coincide com as enchentes devastadoras na Zona da Mata, que deixaram, por enquanto, 36 mortos e 33 desaparecidos e milhares desabrigados em Juiz de Fora e Ubá, expondo a negligência crônica de um governo que prioriza cortes fiscais em detrimento da vida mineira. Enquanto Zema se prepara para licença em março rumo à pré-candidatura presidencial, o vice Mateus Simões (PSD), que assumirá interinamente, anuncia remendos emergenciais de R$ 38 milhões para Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá – migalhas após anos de desmonte.Cortes criminosos ano a ano

Em 2023, o governo ainda destinou R$ 134,8 milhões a ações de mitigação, gestão de desastres e rodovias, sob rubricas do Gabinete Militar e Defesa Civil. Já em 2024, o valor desabou para R$ 41,1 milhões, e em 2025, para R$ 5,8 milhões, com apenas R$ 16 mil nos dois primeiros meses de 2026 – números irrisórios diante de temporais previstos anualmente. O governo não respondeu a questionamentos sobre os cortes, que incluem verbas para prevenção de deslizamentos e enchentes, áreas críticas após tragédias como Brumadinho (2019) e as chuvas de 2020.

Responsabilidade de Zema e Simões

Romeu Zema, cujo mandato termina em dezembro mas planeja se afastar em março para disputar a Presidência, vetou em 2025 recursos para a Defesa Civil na LOA, alegando “genéricos”, medida criticada pela oposição como “grave retrocesso” que fragiliza respostas a desastres. Deputadas como Andréia de Jesus (PT) e Beatriz Cerqueira (PT) denunciam que os cortes expõem mineiros a riscos mortais, com Zema “negligenciando quem mais precisa”. Mateus Simões, pré-candidato ao governo pelo PSD e herdeiro interino do Palácio da Liberdade, comunga da gestão falha, anunciando auxílios tardios enquanto o Estado sangra por falta de prevenção.

Reação oposicionista e federal

A oposição cobra explicações e derrubada de vetos, afirmando que “sem equipes e insumos, respostas viram lentas e custam vidas”. O governo federal, sob Lula (PT), reconheceu calamidade em Juiz de Fora e enviou Força Nacional, contrastando com a passividade estadual. Especialistas veem nos cortes uma ideologia liberal que sacrifica o bem público, agravando vulnerabilidades em um Estado historicamente castigado por eventos climáticos. Mineiros pagam o preço da irresponsabilidade de Zema e Simões, cujas ambições eleitorais eclipsam a urgência de vidas salvas.

O Metropolitano

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