Governo Zema pode substituir secretário de Educação por nome marcado por derrota e escândalos

Rossieli Soares, ex-secretário de Educação de São Paulo e Pará, poderá assumir pasta em Minas mesmo após série de denúncias e desgaste político

Rossieli Soares – Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

O governo Romeu Zema (NOVO), nos bastidores deixou vazar rumores sobre a saída de Igor Alvarenga do comando da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, que teria sido informado nesta terça-feira (15). Caso a exoneração se confirme, o combinado seria que Alvarenga permanecerá no cargo até o fim de julho, até a chegada do sucessor: Rossieli Soares, ex-secretário de Educação em São Paulo e mais recentemente no Pará.A escolha de Zema, caso se confirme, deverá provocar forte reação entre educadores e movimentos sociais devido ao perfil do indicado: além de derrotado nas últimas eleições, Rossieli acumula histórico de polêmicas, processos e denúncias de irregularidades na gestão pública.

Quem é Rossieli Soares e quais os escândalos que o cercam

Rossieli Soares atuou como secretário de Educação do Amazonas, de São Paulo e do Pará, além de breve passagem como ministro da Educação. Sua carreira, no entanto, é marcada por diversos episódios controversos:

Condenação por improbidade administrativa no Amazonas: Rossieli foi condenado, junto com outros servidores, por descumprimento de requisições do Ministério Público relativas à investigação de contratos e obras suspeitas. A Justiça determinou multa dez vezes superior ao seu salário como penalidade pela omissão na entrega de documentos solicitados durante investigações sobre contratos de reformas escolares.

Devolução de recursos públicos: O Tribunal de Contas do Amazonas determinou que Rossieli devolvesse R$ 2,2 milhões aos cofres do Estado, relacionados a gastos em obras escolares sem a devida comprovação de execução. A decisão destaca falhas graves de controle e ausência de documentação.

Denúncias de abuso de poder político em São Paulo: Durante a corrida eleitoral de 2022, enquanto era candidato a deputado federal, Rossieli foi acusado pelo Ministério Público Eleitoral de usar a estrutura da Secretaria Estadual de Educação a favor de sua campanha, incluindo a participação em eventos oficiais para autopromoção, possível uso de funcionários da pasta para fins eleitorais e influência indevida na permanência e exoneração de servidores ligados à secretaria.

Gestão marcada por contratos milionários e polêmicas no Pará: Em sua gestão como secretário no Pará, assinou contratos que somam mais de R$ 500 milhões com empresas investigadas, além de ter aprovado políticas de ensino a distância para comunidades indígenas e quilombolas, o que resultou em protestos de lideranças sociais e denúncias de desrespeito à realidade dessas regiões; houve ocupação da sede da Secretaria de Educação por indígenas em janeiro de 2025.

Controvérsias na pandemia em São Paulo: Rossieli foi alvo de pedido de investigação por parte de deputados estaduais e de entidades sindicais, que o responsabilizaram pela reabertura das escolas durante o pico da pandemia de Covid-19 e acusaram-no de colocar em risco a vida de profissionais da educação e estudantes, diante da falta de vacinas e do crescimento do número de mortes por Covid-19 no estado.

Além das denúncias e desgastes, Rossieli Soares obteve resultados ruins nas urnas na última eleição, condição que alimenta dúvidas de que seu retorno ao comando de uma das maiores redes estaduais do país representa mais um movimento político do que técnico. Educadores e sindicatos deverão avaliar se a escolha reforça o distanciamento do governo Zema das reais demandas da educação mineira, ao priorizar personagens já rejeitados em outros estados e marcados por repetidas polêmicas.

A eventual nomeação está prevista para ser oficializada até o final do mês, enquanto deverá crescer a mobilização por uma gestão comprometida, de fato, com o fortalecimento da educação pública e longe de escândalos.

O Metropolitano

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