Hospital João XXIII alaga novamente em BH e expõe descaso do governo Simões com a saúde pública
Referência em traumas fica inundada em setor de imagem; críticas de Pacheco no Dia da Saúde se confirmam enquanto governador em exercício segue buscando culpados para seus erros e de Zema

Luciano Meira
O Hospital João XXIII, referência em traumas em Belo Horizonte, registrou alagamentos em áreas de atendimento durante a forte chuva que atingiu a capital mineira na tarde de terça-feira (8). Água invadiu o setor de imaginologia, com goteiras escorrendo do teto, embora a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) afirme que não houve suspensão total de serviços de urgência. O episódio reforça o histórico de problemas estruturais na unidade, que já enfrenta denúncias recorrentes de falta de manutenção apesar de sua importância vital para o SUS em Minas Gerais.
A tragédia pontual ocorre apenas dois dias após o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) denunciar, em discurso no Senado pelo Dia Mundial da Saúde (7/4), a “paralisia crônica” nas obras de hospitais regionais do estado, chamando-as de “símbolos de ineficiência e desperdício de recursos públicos”. Pacheco cobrou a descentralização da saúde, destacando a sobrecarga em centros como o João XXIII e a dependência de populações do interior, no Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha, que percorrem distâncias exaustivas por atendimento básico. Unidades prometidas há anos, seguem inacabadas, comprovando a acurácia das críticas do parlamentar.
Em resposta desrespeitosa e evasiva, o governador em exercício Mateus Simões (PSD) desqualificou Pacheco afirmando que “em Minas ninguém o leva a sério”, ignorando os fatos gritantes como o alagamento no João XXIII. Essa postura arrogante revela a incompetência da gestão Zema-Simões, que prefere ataques pessoais a ações concretas para reformar estruturas decadentes e concluir obras paralisadas. Enquanto Pacheco defende “justiça distributiva e dignidade” na saúde, Simões opta por provocações políticas baratas, deixando mineiros reféns de hospitais vulneráveis a chuva.

Para o deputado estadual Lucas Lasmar (Rede-MG) a situação é recorrente e tem pouca ou quase nenhuma atenção do governo. “O governo, após sete anos, continua ignorando a realidade do Hospital João XXIII, maior referência em urgência e emergência de Minas Gerais. A falta de investimento em infraestrutura é evidente, a chuva recente levou água para dentro da unidade, expondo pacientes e profissionais a riscos. Além disso, os trabalhadores da FHEMIG são obrigados a cumprir plantões extras sem remuneração, o que aumenta a sobrecarga e compromete o atendimento. Esse descaso se repete em outros hospitais estratégicos, como o João Paulo II, que já sofreu pane elétrica, e o Júlia Kubitschek, onde há um prédio inacabado há décadas, capaz de abrir mais de 100 leitos. Enquanto isso, pacientes aguardam cirurgias em corredores, em condições indignas, mesmo com um orçamento anual de R$ 13 bilhões para a saúde — muito superior ao de gestões anteriores. O discurso de eficiência não se sustenta diante da falta de prioridade e cuidado com os mineiros”, concluiu o parlamentar.
O caso do João XXIII não é isolado: vazamentos e falhas estruturais se repetem, expondo o descaso com um equipamento que salva vidas diariamente. A Fhemig minimiza o incidente como “volume excepcional de chuva”, mas imagens e relatos comprovam a precariedade acumulada por anos de negligência governamental. Com eleições se aproximando, o episódio valida as denúncias de Pacheco e clama por responsabilidade urgente na saúde pública mineira.
