Ipea: mercado absorve fim da escala 6×1 sem crise generalizada
Estudo aponta custo de 7,84% no trabalhador CLT, mas impacto abaixo de 1% em indústria e comércio; PEC avança na Câmara

Luciano Meira
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concluiu que o mercado de trabalho brasileiro pode absorver o fim da escala 6×1 (44 horas semanais) e redução para 40 horas, com custos similares a reajustes históricos do salário mínimo, como os de 12% em 2001 e 7,6% em 2012, sem perda significativa de empregos.
Publicado em 10 de fevereiro, o estudo analisa 87 setores da RAIS 2023, onde 74% dos 44 milhões de celetistas (31,8 milhões) trabalham 44 horas. A remuneração média desses é R$ 2,8 mil, metade dos R$ 6,2 mil de quem faz até 40 horas, concentrando perfis de baixa escolaridade (83% com até ensino médio).
Impactos setoriais variados
O custo médio do trabalhador CLT subiria 7,84%, mas no custo operacional total fica abaixo de 1% em indústria e comércio (13 milhões de vagas). Setores de serviços como vigilância e limpeza enfrentam alta de 6,5%, demandando transição gradual e contratos parciais.
Empresas pequenas (até 9 funcionários) são mais vulneráveis: 88,6% dos vínculos excedem 40 horas, em áreas como educação, associações e serviços pessoais (lavanderias, salões).
Benefícios sociais e debate político
A redução colocaria trabalhadores de baixa renda em “pé de igualdade”, elevando o valor/hora e combatendo desigualdades. No entanto, estudos como do IBRE/FGV alertam para perdas de até 2,8% no PIB em cenários radicais (36 horas), com 600 mil demissões potenciais.
O tema ganha tração: presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), prioriza votação em maio via PEC 8/2025 de Erika Hilton (PSOL-SP, 234 assinaturas, apensada à PEC 221/19) ou a PEC de Reginaldo Lopes (PT-MG), reduzindo para 36 horas semanais (4 dias úteis).
Lula incluiu a pauta em mensagem ao Congresso, reforçando debate sobre equilíbrio entre produtividade e qualidade de vida.
