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Itaú cria o portal Factópoles em meio a disputa extrajudicial com o Metrópoles

Banco lança plataforma para rebater reportagens do portal e diz buscar exercer direito de resposta em disputa iniciada após série de publicações sobre acordo com consumidores

Reprodução Redes Sociais

Luciano Meira

O Itaú Unibanco colocou no ar nesta quarta-feira (1º) o site Factópoles, plataforma criada para reunir os posicionamentos oficiais do banco sobre reportagens publicadas pelo portal Metrópoles. A iniciativa ocorre em meio a uma disputa extrajudicial entre as duas empresas de comunicação, desencadeada após uma sequência de reportagens sobre um acordo firmado pelo banco para ressarcimento de clientes em casos relacionados à contratação de seguros.

Segundo o Itaú, o novo espaço foi criado para assegurar o direito de resposta e oferecer ao público informações que, na avaliação da instituição, teriam sido omitidas ou apresentadas de forma distorcida pelo portal. Em nota, o banco afirma que, entre abril e julho deste ano, o Metrópoles publicou 42 reportagens e cerca de 50 postagens em redes sociais contendo informações consideradas “distorcidas” e sem espaço adequado para o contraditório.

No texto de apresentação do Factópoles, o Itaú afirma respeitar a liberdade de imprensa e o jornalismo investigativo, mas sustenta que parte da cobertura sobre o banco deixou de observar o equilíbrio informacional. A instituição diz que continuará respondendo aos questionamentos da imprensa e que a nova plataforma servirá como repositório permanente de seus posicionamentos oficiais.

A iniciativa tem como foco principal a cobertura realizada pelo Metrópoles sobre um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado pelo Itaú com o Ministério Público de Minas Gerais e entidades de defesa do consumidor. As reportagens abordaram cobranças de seguros contestadas por clientes e o programa de ressarcimento previsto no acordo.

Na notificação extrajudicial encaminhada ao Metrópoles, o Itaú afirma que o portal publicou informações inexatas ao sustentar que o banco teria “admitido” ou “confessado” cobranças indevidas durante 14 anos. Segundo a instituição financeira, o TAC contém cláusula expressa estabelecendo que sua assinatura não representa reconhecimento de culpa ou de responsabilidade. O banco também contesta estimativas financeiras divulgadas pelo portal, segundo as quais o caso poderia envolver cifras bilionárias, afirmando que tais projeções não constam do acordo nem de documentos oficiais.

O Metrópoles, por sua vez, sustenta que as reportagens foram produzidas com base em documentos oficiais, informações públicas e no interesse jornalístico do tema. Em reportagem publicada nesta quarta-feira, o portal classificou o lançamento do Factópoles como um novo capítulo da disputa entre as partes e afirmou manter a convicção de que sua cobertura observou critérios jornalísticos.

Fundado em Brasília em 2015, o Metrópoles pertence ao Grupo Metrópoles, controlado pelo empresário Luiz Estevão. Antes de atuar no setor de comunicação, Estevão construiu sua trajetória empresarial principalmente nos ramos da construção civil e do mercado imobiliário, por meio do Grupo OK. Ex-senador pelo Distrito Federal, ele teve o mandato cassado em 2000 e posteriormente foi condenado em processos relacionados ao caso das obras do edifício do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, tendo cumprido pena e retornado posteriormente à atividade empresarial. Nos últimos anos, voltou a exercer influência no cenário político e empresarial do Distrito Federal por meio de seus negócios e do grupo de comunicação.

A disputa entre Itaú e Metrópoles ocorre em um momento de crescente tensão entre empresas privadas e veículos de imprensa sobre os limites da liberdade de informação, do direito de resposta e da responsabilização por eventuais erros jornalísticos. O banco afirma que busca apenas restabelecer o equilíbrio informacional, enquanto o portal sustenta que continuará exercendo sua atividade jornalística de forma independente.

Até o momento, a controvérsia permanece na esfera extrajudicial. O Itaú notificou formalmente o Metrópoles requerendo a correção de informações que considera inexatas, enquanto o portal mantém o conteúdo publicado e acompanha os desdobramentos do caso.

Cronologia da disputa

Dezembro de 2025 – O Itaú Unibanco firma um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de Minas Gerais e entidades de defesa do consumidor para disciplinar o ressarcimento de clientes que afirmam não reconhecer a contratação de determinados seguros ou relataram dificuldades para cancelá-los. Segundo o banco, o acordo não implica reconhecimento de culpa ou responsabilidade.

24 e 25 de maio de 2026 – O banco inicia nova etapa da divulgação pública prevista no TAC, convocando consumidores potencialmente abrangidos pelo acordo.

A partir de 25 de maio – O portal Metrópoles publica uma série de reportagens sobre o acordo, abordando supostas cobranças indevidas de seguros e estimativas sobre os valores envolvidos. O Itaú afirma que as publicações passaram a conter informações inexatas e interpretações incompatíveis com o conteúdo do TAC.

Junho de 2026 – Segundo o Itaú, são publicadas 42 reportagens e cerca de 50 postagens em redes sociais relacionadas ao tema. O banco sustenta que suas manifestações não receberam espaço proporcional nas publicações.

1º de julho de 2026 – O Itaú envia notificação extrajudicial ao Metrópoles requerendo a correção de informações que considera falsas ou inexatas e o exercício do direito de resposta. Entre os pontos contestados estão a afirmação de que o banco teria “admitido” cobranças indevidas e projeções financeiras bilionárias atribuídas ao caso.

1º de julho de 2026 – No mesmo dia, o Itaú lança o site Factópoles, plataforma destinada a divulgar seus posicionamentos oficiais sobre as reportagens do Metrópoles. O banco afirma que o objetivo é restabelecer o equilíbrio informacional e assegurar o direito de resposta, enquanto o portal mantém sua cobertura e sustenta que as reportagens foram produzidas com base em documentos oficiais e informações de interesse público.

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